Somos gordos, somo cultos. Fora blogueiros corruptos!

A internet não é mais a mesma. Hoje, blogs perderam o seu sentido original. Antes um lugar de conversas, carinhos e amizades, eles se transformaram em máquinas do capitalismo moderno.

Portanto, se faz necessário nos virarmos em direção a nossas origens. Uma blogsfera calma, alegre e com foco naquilo que importa: a diversão do leitor.

Os blogs como meio de diversão ilimitada

Algumas coisas na internet eu considero imortais. Elas superam novos serviços, o “atestado de morte” de entusiastas de social média (que vieram direto daquela agência super descolada), superam Twitter, Youtube e até gente enfiando objetos religiosos no orifício anal.

Blogs, fóruns, serviços de e-mails e imageboards frequentados por gente estranha estão para a internet assim como aquele apelido que você ganhou na sexta série quando desmaiou sobre a sua merenda: façam o que quiserem, eles não só são insubstituíveis como também são os melhores naquilo que se prestam a fazer.

Não há Twitter que possa substituir um blog, não há comunidade no Orkut que seja tão funcional quanto um fórum, não há transa que possa ser mais divertida do que um imageboard e não há Whatsapp que seja capaz de acabar com um e-mail carregado de fotos constrangedoras do João do faturamento recebido três dias após a última festa da firma. Não há.

Clique na imagem para ver ela no site original ou fique aqui mesmo lendo o texto
A blogsfera brasileira segundo o site Malvados

Os blogueiros como agentes do capitalismo neoliberal

A classe blogueira de várzea, a classe blogueira arte, a classe blogueira de raiz deve se atentar para as insistentes tentativas por parte de uma minoria elitista e protocarteiradista de avacalhar o bagulho. Ser blogueiro é uma arte que existe desde o início da World Wide Web, quando os blogs se resumiam à postar textos do cotidiano.

A internet era composta por pessoas donas de blogs hospedados no Blogger (e outros serviços mais velhos e obscuros) com temas de fundo preto, gifs e muita letra prateada. Ali, pessoas se encontravam para debater sobre diversos temas na seção de comentários em um tom amigável e com boas risadas.

Altas confusões e aventuras eram aprontadas por aquela turma do barulho da internet. Assim como, um belo dia, um sujeito descobriu que cercar uma terra e chamar ela de sua propriedade privada era uma ideia boa (para ele), um belo dia um sujeito descobriu que posts pagos e anúncios em todos os cantos de uma página eram bons e davam grana o bastante para alguém sobreviver. Foi aí que começou a putaria.

A internet brasileira: um pequeno conto de terror dos anos 2000

Quem frequenta a internet desde o início dos anos 2000 viu a evolução das ferramentas de acesso (fomos de modens 28kbps a telefones com conexões de muitos Mbps para clientes de qualquer operadora que não seja a Tim) e a mudança dos blogs. Vimos o Posterous ser comprado pelo Twitter – para morrer tempos depois –, vimos o Yahoo! quase ir para o limbo (e eventualmente chegar lá) e acreditamos quando a MS prometeu o IMAP no Hotmail.

Quando ainda frequentávamos páginas do Orkut em busca de links para downloads de séries, uma parte da internet via com olhos cheios de fúria e ódio algumas pessoas criarem blogs focados em espalhar conteúdo roubado de outras fontes (muitas vezes imageboards do exterior) e postarem como se fosse um grande achado. Depois de aquele dia, a internet foi dominada por postagens com uma tirinha de meme, um vídeo de um russo dançando de maneira estranha em uma balada (como se dançar samba fosse algo muito normal. Sério, olhem para aquilo, não é humana a maneira como dançamos samba. Não é.) ou simplesmente os “melhores links da semana mas que na verdade são apenas uma promoção do site dos meus melhores parceiros que eu combinei previamente”.

Internet antes do Windows XP. Dizem que você nem existia naquela época

Blogueiros vendidos: o mal de uma geração

A máfia dos blogueiros profissionais brasileira luta por RT’s, apoio de amigos, posts patrocinados, banners de grandes empresas, presentes, indicações no YouPix, presença em palestras, eventos de social media e até presentinho de marca famosa. Para eles, reconhecimento é algo primordial e o número de page views mensal vale muito mais do que barras de ouro.

Identificar um blogueiro metido a famosão na internet é fácil, basta buscar por alguém que responda à algum insulto dentro de um estabelecimento comercial com o clássico “VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? VOCÊ SABE QUANTOS PAGE VIEWS EU POSSUO POR MÊS? VOCÊ SABE QUANTOS RT’S EU GANHO POR DIA?”. Também não é raro ver blogueiros profissionais pedindo para entrar em uma balada só para testar um negócio rapidinho e dar uma olhadinha (quase sempre se oferecendo para fazer uma parceria se a olhada for lucrativa).

Criaturas de pouca confiança, blogueiros profissionais são vistos navegando em bandos e comemorando o fim do Google Reader. “Com o fim do Google Reader e o uso de RSS com postagens resumidas a quantidade de acessos do meu blog aumentou em 23%. Até um upgrade no meu servidor eu tive que fazer”, disse um blogueiro que não quis se identificar para o nosso site. Não muito raro, pedem para as suas leitoras fotos com o nome do blog escrito em seus corpos para atraírem mais acessos masculinos ao site, uma prova clara de que os blogueiros também apoiam a manutenção dos privilégios de uma sociedade machista, elitista e que oprime até quem gosta de ficar sujo.

Sentimentos, malícia e sagacidade. É disso que um blogueiro precisa.
Sentimentos, malícia e sagacidade. É disso que um blogueiro precisa.

Por uma internet raiz, uma internet arte

Não queremos, é claro, o fim dos blogs pagos. O Alo, PF! apoia que todos ganhem dinheiro da maneira que acharem mais justa (afinal de contas, o capitalismo não serve para garantir esse tipo de liberdade econômica?). O que nós queremos vai muito além de vinte centavos.

A classe blogueira de várzea deve se unir e ir às ruas lutar pela volta da blogagem arte, a blogagem de raiz. Juntos iremos mostrar ao povo que a internet clássica ainda existe, que a Vila dos Computador jamais saiu das nossas mentes.

Independentemente do Facebook, do Twitter, do Youtube ou dos outros serviços que criarem, nós jamais nos calaremos frente à opressão do sistema. E é por isso que hoje eu afirmo: ou voltamos para as nossas raízes ou seremos os futuros jornalistas de redação.

Eu não vou te pedir para comentar, mas se quiser: pode.