A Nova Era – semana #23: país rico é país sem brasileiro

The following takes place between may-04 and jun-11


As notícias que parecem da semana passada, mas não são 

Em 23 semanas de Nova Era, algumas coisas se tornaram repetitivas. Então, vamos começar uma pequena sessão aqui no blog focada apenas nesses pontos, pois já está bom de repetir o mesmo argumento toda semana. 

Vamos começar com gente do Legislativo apontando como o governo é muito ruim, até em fazer o básico do básico. Na noite de domingo (02), por exemplo, Rodrigo Maia afirmou que falta ao Planalto uma agenda para o Brasil, que aumente a produtividade da economia, crie empregos, dê remédios a quem precisa e melhore a qualidade da educação. 

O carioca também negou que o pacto dos três poderes foi fechado, afirmando que “o Onyx Lorenzoni avançou na informação sem uma construção política amarrada. Ele entregou um documento, ninguém leu, e ficou parecendo para a sociedade e a imprensa que a gente fechou aquele pacto. Zero verdade nisso.” 

Já Alcolumbre disse que o governo comete trapalhadas diariamente, e tirou do Planalto os méritos de uma futura aprovação da Reforma da Previdência. O que não deixa de ser verdade, uma vez que o próprio Bolsonaro acha que, uma vez entregue um projeto ao Congresso, ele deixa de ser problema do Planalto.

Como os bots do Bolsonaro tiram folga no final de semana, não teve hashtag no Twitter atacando Maia ou Alcolumbre. Também é possível que os responsáveis por acionar as postagens em série tenham se lembrado que precisam engolir ambos por mais dois anos.

Fazendo coro a Maia, o presidente da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara, Marcelo Ramos, também lembrou que falta a noção de prioridade para Bolsonaro. No seu Twitter, o deputado se queixou que Bolsonaro visita a Câmara para mudar o Código de Trânsito, mas não para ajudar na aprovação da reforma. Não é como se a aprovação do projeto estivesse garantida

Os militares seguem atuando como a voz moderada do governo. Segundo apontaram Vinicius Sassine e Bernardo Mello Franco, os generais próximos a Bolsonaro continuam tentando fazer o presidente deixar de ser um fantoche dos olavistas. 

Por fim, o PSL segue sendo uma bagunça. Na última semana o Major Olímpio, líder do PSL no Senado, partiu para cima da Joice Plagelmann (frase não literal), líder do governo no Congresso. O bate boca ocorre após o partido não cumprir o acordo firmado entre os seus membros, logo na primeira sessão conjunta das casas legislativas

Certas partes do noticiário se tornaram uma temporada da série Russian Doll. A diferença, aqui, é que morremos apenas de desgosto no final do dia. 

Never go full Ayn Rand 

Bolsonaro andou lendo A Revolta do Atlas, e o resultado vai te surpreender. Na terça-feira, o presidente atravessou as ruas de Brasília, bateu nas portas do Congresso, e entregou um projeto de grande importância para o cenário atual: um conjunto de alterações no Código de Trânsito Brasileiro

Se tudo der certo (para o “governo do revide”), em alguns meses o Brasil será o país em que: 

O presidente, que já anunciou o fim dos radares nas estradas federais dizendo que “ninguém é otário de fazer curvas em alta velocidade”, afirmou que os pais são completamente responsáveis e sabem que é importante levar os filhos em seus carros utilizando a cadeirinha.

O blog considera fofa a fé que Jair tem na inteligência do brasileiro, principalmente por terem sido as pessoas que nasceram na Terra de Santa Cruz as responsáveis por darem a ele cargos eletivos nas últimas décadas. 

Felizmente não há boa vontade dos agentes políticos brasileiros em apoiar essa sandice. Paulo Douglas, que é um dos autores da Lei do Descanso dos Caminhoneiros, chamou o texto de retrocesso imenso, e pretende contestá-lo na justiça.

Já a deputada Christiane Yeared, da base do governo, lembrou que, no mundo real, multa sai mais barato do que caixão. Também afirmou que, o custo das lágrimas que escorreram pelo rosto dela após o filho dela ser atropelado por um ex-deputado certamente deve ser menor do que o de uma cadeirinha infantil.

Houve liberal que apoiou a ideia do presidente, baseando-se no argumento de que o Estado não deve impedir alguém de ser imbecil. Houve também aqueles que afirmaram que as pessoas são completamente capazes de não colocarem a própria vida (e a vida de seus filhos) em risco.

Afinal de contas, qualquer pai responsável compraria cadeirinhas para as suas crianças após vaciná-las no posto de saúde mais perto de sua casa. Não é como se existisse gente por aí dando alvejante para os seus filhos.

Também houve aquele que confia plenamente na mão invisível do mercado, e disse que as empresas não contratariam motoristas que dirigem com o cu cheio de rebite. Todos falharam em informar como o resto da população se protegerá dos motoristas que não dirigirem sóbrios (responsáveis pela morte de muita gente), e de onde sairão os recursos para as crianças com pais pouco cuidadosos comprarem as suas próprias cadeirinhas. Elas pouparão o dinheiro da merenda para se protegerem por conta própria?

Cabe aos liberais (ou libertários) tupiniquins pararem de ir full Ayn Rand na defesa das suas ideias. O brasileiro é, foi, e continuará a ser muito burro. Basta lembrar o que jornalistas falaram quando o Maluf disse que não é legal andar por aí soprando fumaça no coleguinha.

Aliás, volta, Maluf! Entre um filhote da ditadura que comete corrupção de pobre e um que comete corrupção de rico, mas sabe que liberalismo não é bagunça, eu fico com o segundo. 

Liberalismo: tem, mas desgringolou

A história do liberalismo no Brasil é escrita em linhas mais tortas do que o traçado da BR 381. Quando não há gente falando que protecionismo econômico é livre mercado, os guardiões da Constituição resolvem apoiar a busca por atalhos para aumentar a liberdade econômica nacional. 

Pelo menos é essa a impressão que o STF passou ao liberar a venda de subsidiárias de estatais sem o aval do Congresso. Ignorando o que diz a Constituição brasileira, os gloriosos ministros fizeram um rebosteio argumentativo para justificar a possibilidade de o governo vender uma empresa, de maneira até então ilegal.

Veja bem, o blog não tem nada contra a venda de empresa pública. A depender dele, uma boa parte das estatais deixariam de existir, começando pela Infraero (vendam a Infraero. Eu não aguento mais a Infraero).

Mas se o governo quer mesmo sair por aí sendo malvadão e promover o desmonte da máquina pública, que o faça da maneira correta. Que mandem um projeto para modificar a lei vigente e, com isso, reduzir as chances de outras vendas pararem na justiça.

Pedir para o STF legislar só diminui (em vez de aumentar) a segurança jurídica que é necessária para avançar o processo de desestatização, que começou lá com o Collor. Não custa nada a Corte mudar de ideia e, em alguns anos, avisar que não pode mais vender subsidiária da Petrobrás sem o apoio do Congresso. 

Pequenas notas do Quinto dos Infernos 

Liberal na economia, conservador de ideias ruins em tempo integral 

Bolsonaro lembrou que existem outros países na América Latina além da Venezuela. Após viajar para comer fast food nos EUA e falsificar a história em Israel, o presidente passou um tempinho na Argentina contando novas mentiras.

Na visita, Bolsonaro pediu que os nossos hermanos votassem “com muita razão e menos emoção“. Afinal de contas, já basta ele como imbecil de marca maior ocupando um cargo importante na região.

Após demonstrar que a educação da ditadura militar não é das melhores, o presidente anunciou um novo desejo imbecil: a criação de uma moeda comum entre os dois países, o “peso real”. A ideia é tão ruim, mas tão ruim, que fica difícil comentar sobre. Felizmente, o Banco Central do Brasil avisou que isso não é algo a ser levado a serio. Mesmo assim, Jair insistiu na ideia.

O fato é que a saga do presidente para destruir tudo o que foi criado após a ditadura não tem fim. Se o próximo alvo é o Plano Real, que finalizou com a hiper-inflação crônica do país, o blog, na posição de tiete do Plano Real, considera isso um motivo para impeachment.

No dia do meio ambiente quem derruba árvore é você 

O leitor sabia que o desmatamento é a questão ambiental que mais preocupa o brasileirinho? O blog não. E, a julgar pelas medidas tomadas pelo ministro do Meio Ambiente, o chefe da pasta também desconhece o dado.

Segundo a pesquisa global Earth Day 2019, o tema é mais importante até do que o aquecimento global. A informação foi divulgada na mesma semana em que o governo afirmou que insistirá em aprovar as mudanças no Código Florestal, que o Senado já falou que não quer fazer. Se sobrar tempo, Bolsonaro também tentará encontrar uma forma de extinguir parques ambientais por decreto.

Mas essa não é a única medida do governo brasileiro nas últimas semanas com a desculpa que ele não pode atrapalhar o coleguinha a destruir floresta. Veja algumas das coisas que o blog esqueceu de citar sobre a atuação do ministro, acusado de improbidade administrativa:

Não é de surpreender que o desmatamento da Amazônia tenha explodido nos primeiros meses de 2019. Quando Bolsonaro diz que a missão do seu governo é “não atrapalhar quem quer produzir“, ele está apenas tendo um impulso de sinceridade e humildade. No que depender da sua administração, a Amazônia se transformará em uma grande mistura de pasto e plantação de soja. Transgênica e com muito agrotóxico, se possível. 

E se depender do ministro responsável por cuidar do Meio Ambiente e do agronegócio nas horas vagas, não sobrará um centavo para as atividades que garantirão um futuro com ar respirável para os nossos filhos. Nessas horas, cabe a gente comemorar a existência de Sergio Moro. O ministro da Justiça liberou mais verba para o FDD. O aumento de 1.650% nas verbas auxiliará na criação de um modelo de avaliação de riscos para o uso de agrotóxicos no Brasil, e reduzir o impacto causado pela sua aplicação no meio ambiente

A Alemanha já notou que Bolsonaro só quer beber agrotóxico e cortar árvore. Os europeus avisaram que, a depender dos movimentos dos próximos meses, a sua carteira ficará fechada para o financiamento de um dos mecanismos mais antigos de proteção a floresta da Amazônia. A Noruega também já está mexendo os seus pauzinhos para impedir o governo de continuar a fazer merda.

O presidente pode continuar mentindo por aí e falando que o Brasil é um país que protege o meio ambiente com muito afinco. Enquanto existir imprensa livre nessa nação, poderemos acompanhar com cuidado as incisivas tentativas do seu governo para acabar com o nosso futuro.

A mulher de César caiu na net 

Há um ditado que diz que, a mulher de César não só deve ser honesta. Ela também deve parecer honesta. O blog, inclusive, já se utilizou dele para fazer título de postagem. Os membros da operação Lava Jato e o ministro Sergio Moro deveriam conhecê-lo.

Na noite de domingo (09), a versão brasileira do The Intercept começou a publicação de uma série de reportagens detalhando as relações entre Deltan Dallagnol e o atual ministro da Justiça. O material, colhido por uma fonte anônima, mostra como o ex-juiz aconselhou o funcionário do MPF, as articulações dos servidores públicos para impedir que o ex-presidente (e agora portador de um pau duraço) Lula desse entrevistas, e até mesmo as dúvidas que os concurseiros tinham sobre a sua capacidade de mostrar que o petista era o dono do tríplex mais famoso do Guarujá.

A força-tarefa da Lava Jato logo publicou uma nota em que não desmentia o conteúdo das publicações do site de Glenn Greenwald. Também afirmou que elas não revelam qualquer ilegalidade (mas nada falaram sobre o nível de ética das articulações feitas com o apoio do ministro da Justiça).

Os concurseiros também afirmaram que a sua atuação foi revestida de “legalidade, técnica e impessoalidade”. Marco Aurélio Mello discorda.

O mesmo MPF também afirmou que a pessoa responsável pelos vazamentos “praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança” dos investigadores. Imagina se os servidores do órgão tivessem a mesma opinião quando alguém resolve divulgar conversa de jornalista com fonte, hein?

Os servidores públicos (que regularmente forçam a barra no entendimento da lei) também afirmaram que foi uma injustiça não terem sido contactados pelo Intercept antes da publicação da notícia. É sempre bom lembrar que a liberdade de imprensa existe e, em geral, empresa privada não é obrigada a seguir as vontades de concurseiro.

A força tarefa se queixou que os jornalistas do Intercept não são imparciais, algo que qualquer estudante de comunicação social do primeiro período do curso sabe que não existe. Imparcialidade, aliás, é devida aos juízes, que não devem prestar serviços de consultoria jurídica nos sábados, domingos e feriados.

Indo além, afirmaram que ultrapassar os limites de respeito às instituições e às autoridades é algo que prejudica a sociedade em vários níveis. Quem vê pensa que os concurseiros estavam falando daquele vazamento de ligação da Dilma com o Lula uns anos atrás.

Jornalista tem mais é que vazar dado de interesse público mesmo. O próprio Dallagnol já reconheceu isso quando foi de seu interesse, e da mesma forma, Sergio Moro lembrou que não podemos culpar jornalista por divulgar material vazado por terceiros.

Sergio Moro disse, no Twitter, que há “muito barulho”, e que uma “leitura atenta revela que não tem nada ali, apesar das matérias sensacionalistas”. Afinal de contas, o responsável por julgar criminhos orientar as pessoas responsáveis por apontar quem comete ilegalidades a fazer o seu trabalho é super normal.

Se os envolvidos no escândalo queriam parecer honestos e imparciais, o fizeram muito mal. Se parabenizar após uma manifestação pelo impeachment de Dilma Rousseff, afirmar que quer “limpar o Congresso,” e indicar até a ordem correta para a realização de operações está longe de ser algo ético. E não é só o blog que diz isso: a OAB também achou as ações dos funcionários do judiciário muito feias, e pediu que eles se afastassem até que tudo fosse esclarecido.

Gilmar Mendes, aquele que pouco fez nos últimos anos para impedir que operações contra a corrupção não chegassem em poderosos, já avisou que “o fato é muito grave”. Também tirou a bunda de cima do processo que questiona a suspeição do Moro.

O Congresso já se articula para usar uma CPI para ouvir o ministro da Justiça, e discute se há a necessidade de quebrar sigilos. Enquanto isso, Toffoli, Alcolumbre e Maia se reuniram para discutir as publicações do Intercept.

Não me assustaria saber que, entre a noite de domingo e a hora da publicação deste post, muita gente presa na carceragem da PF em Curitiba gozou gostosamente, lembrando que, no artigo 254, inciso IV, do Código do Processo Penal, está registrado o “juiz dar-se-á por suspeito, e, se não fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes se tiver aconselhado qualquer das partes”. No país da Operação Satiagraha, qualquer passo em falso é motivo para gente poderosa ficar longe da cadeia.

Até o momento, isso não aconteceu. Muitas das coisas que foram reveladas pela Lava Jato são tão sólidas quanto a água que serve de apoio para os patinhos do sítio de Atibaia nadarem.

Porém, os alicerces para bons advogados saírem por aí questionando a atuação de Moro e seus amigos começaram a ser cavados apenas nessa semana. Vai ser divertido acompanhar o Reinaldo Azevedo fazendo pirocoptero na Band News, enquanto o Intercept revela os outros 99% que sabe.

Vale lembrar que a frase “o juiz brasileiro, na fase de investigação, tem uma postura passiva, apenas examinando pedidos da autoridade policial, do Ministério Público e da defesa, como também o faz durante a fase de tramitação da ação penal” veio do mesmo servidor que foi pego com uma postura ativa, auxiliando e cobrando pedidos do Ministério Público para dar mais força às suas acusações. As revelações, portanto, podem não ter um impacto jurídico imediato, mas certamente representam um baque para aqueles que pretendiam manter a opinião pública ao seu lado.

Em notas não relacionadas, o Dallagnol responderá a uma acusação de atuação política e quebra de decoro em um processo administrativo instaurado pelo corregedor nacional do MP, Orlando Rochadel. Por incrível que pareça, a notícia publicada pelo Painel da Folha de S.Paulo informa que o processo em nada tem a ver com o escândalo da semana: a acusação se refere às postagens feita pelo procurador durante as eleições para a presidência do Senado no começo do ano.

Para todos os fins, a gente pode sorrir pensando que não somos o Padilha. Imagina como deve estar dormindo o diretor ao saber que investiu dinheiro na escrita e gravação de várias cenas para o seu seriadinho mostrando o ex-juiz conversando com gente da PF e do MPF sobre o andamento dos processos quando o certo mesmo teria sido só mostrar uns prints de telefone?


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Escrito pelo Guilherme. Editado e revisado pela Luana.

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A Nova Era – semana #22: um grande pacto com a puta que te pariu

The following takes place between may-28 and jun-03


O pacto de Schrödinger 

Na manhã de terça-feira (28), Jair Bolsonaro se reuniu com os presidentes do Supremo, do Senado e da Câmara para anunciar a criação de um novo pacto entre os três poderes (e tomar um cafezinho). O acordo, segundo informado, envolve temas como a reforma da Previdência e a criação de uma política nacional de segurança.

iniciativa do presidente, tomada dois dias após os seus cães de guarda saírem às ruas para brigarem contra os outros poderes, não valeu por 24 horas. No mesmo dia, Bolsonaro tentou lembrar a Rodrigo Maia que a sua caneta Bic é mais poderosa que a Montblanc utilizada pelo presidente da Câmara.

Eu perdi algo ou agora é o Bolsonaro quem coloca os pedidos de impeachment para tramitar?

Para todos os fins, não há a possibilidade de um presidente revogar um decreto utilizando outro decreto. Nem que seja para transformar reserva ambiental – em que ele foi pego pescando ilegalmente – em parque temático, com vista exclusiva para uma usina nuclear de funcionamento duvidoso. 

A Associação de Juízes Federais notou que essa coisa de pacto com todos os poderes não tem lá muita legalidade. Como bem lembraram os usuários de toga, não cabe ao Supremo realizar acordos políticos, especialmente se envolverem o julgamento da constitucionalidade de propostas no futuro (mas se for para retirar a descriminalização do uso e porte de drogas e a criminalização da homofobia das pautas da corte, pode).

Ao contrário do que pensa o presidente, o único “lado certo” que o Supremo deve se posicionar é o lado da Constituição brasileira. Não cabe ao judiciário ser consultor das ideias tresloucadas do Planalto. Parece óbvio, mas estamos falando do governo do homem que mal sabe ler um teleprompter

Também não há como os presidentes do Senado ou da Câmara subscreverem os programas do Executivo, como se fossem as agendas das casas legislativas. Não só é uma postura pouco saudável para a democracia, como também é algo difícil de ser realizado.

O pacto que o país precisa já existe. É a Constituição de 1988. Qualquer coisa além disso é conversa mole de governante buscando um photo op para o seu governo.

Sobra democracia em Brasília

O pouco autoritário e muito liberal governo Bolsonaro mandou avisar, por meio do seu Ministério da Educação, que “professores, servidores, funcionários, alunos, pais e responsáveis” não podem incentivar a participação de pessoas em protestos a favor da educação. Também informa, por meio da AGU, que “não pode haver professor sendo tendencioso, que atue como militante” no ambiente acadêmico.

André Mendonça avisou ao país e ao STF que, no entendimento do Planalto, “professores precisam ter um comportamento imparcial”. O blog recomenda a leitura de Foucault para os membros do governo, e lembra: os regimes totalitários pelo menos eram mais elegantes quando tinham os seus delírios autoritários.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos 

Partido Novo digievolui para PSL Prime 

Quem chamou o partido Novo de PSDB Personnalité nos primeiros anos de sua vida deveria fazer um mea culpa. A cada live no Instagram a legenda parece, cada vez mais, com uma filial de luxo do PSL.

O ministro do Meio Ambiente é tão ruim, que conseguiu colocar pessoas que não se gostam sentadas em uma sala para falar mal dele. No Legislativo, o partido só não é mais fiel a Bolsonaro do que o próprio partido do Bolsonaro.

Em Minas Gerais, Romeu Zema continua mostrando que essa coisa de nova política não está com nada. Já avisou que pretende continuar pagando os seus secretários com jetons e não vai se obrigar a manter 70% dos cargos comissionados nas mãos de servidores concursados.

Não seria um problema o governador pagar as pessoas que para ele trabalham. O blog é contra essa ideia de que você pode trabalhar em troca de reconhecimento.

Mas não faz um ano que Zema deixou registrado em cartório que ninguém receberia salário, pelo menos até o pagamento dos profissionais concursados e dos pensionistas ser regularizado. Uma medida que, pelo visto, não só não será cumprida como também será tratada com o mesmo carinho que a minha gata trata os brinquedos que eu compro para ela.

Talvez seja uma boa ideia o serviço de consultoria contratado pelo partido para buscar candidatos a prefeito parar de focar em gente rica. Se os consultores começarem a trabalhar procurando pessoas que conheçam a administração pública, as chances de o Novo passar vergonha nos próximos anos serão muito menores.

O Novo já deixou claro que pobre não tem o perfil necessário para realizar política dentro da legenda. Assim sendo, que pelo menos tentem escolher candidatos que não farão promessas imbecis por puro desconhecimento da máquina pública, e que inevitavelmente se transformam em estelionato eleitoral.

Gang bang político

Enquanto a Joice Plagelmann e a Carla Zambelli brigam em praça pública, Alexandre Frota explode o PSL por dentro. O deputado federal não só avisou que Eduardo Bolsonaro não pode presidir a legenda, como também pediu uma auditoria completa das contas do partido.

Frota disse, com razão, que para o PSL ser um partido de verdade ele não pode ter “nome nem sobrenome”. Já Eduardo Bolsonaro acredita que o deputado e ex-ator pornô quer colocar “fogo no partido”. Uma forma bonita de dizer que frota quer foder com ele.

O blog apoia a iniciativa de Alexandre Frota. O deputado tem uma longa experiência em comer o cu alheio (sem areia e brita, infelizmente) e seria divertido ver como isso se daria em relação ao nome do Dudu (ou de outros membros de caráter duvidoso).

Osmar Terra e a luta contra a ilustração 

Nos últimos três anos, a Fundação Oswaldo Cruz gastou R$ 7 milhões de reais para fazer um censo sobre o consumo de substâncias lícitas e ilícitas no Brasil. Após descobrir que o resultado do trabalho não afirmava a existência de uma epidemia de drogas, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, atacou a instituição e proibiu a divulgação do levantamento.

Osmar Terra, que tem um diploma de medicina pela UFRJ, acredita que faltam critérios científicos para o trabalho, que vem a ser coordenado por um pesquisador que é core member do grupo da ONU em uso de drogas injetáveis e AIDS, professor honorário da Graduate School of Public Health, da Universidade de San Diego, nos EUA e “Outstading Reviewer” do College on Problems of Drug Dependence.

Para todos os fins, Sérgio Moro liberou o conteúdo, desde que o título fosse trocado de nome e as associações com o governo fossem removidas. Uma ideia que parece até boa, mas que pode gerar problemas para a Fiocruz.

O incrível caso do governo que até calado se posiciona de forma merda 

Há pouco mais de uma semana, o Complexo Penitenciário Anísio Jobim, localizado em Manaus, acordou manchado de sangue. 15 pessoas foram mortas durante o período de visitação de familiares em função de brigas entre facções. 

A briga fez parte de um ciclo de assassinatos que ocorreram em presídios do estado., e entre domingo e segunda-feira, as cadeias do Amazonas registraram a morte de 55 detentos. O problema, aliás, já tinha sido avisado pela ONU em 2015.

Há, conforme lembrou Reinaldo de Azevedo, 70 organizações criminosas que operam no sistema prisional, matando, recrutando e garantindo que o número de mortes no país aumente. Tudo isso sem a facilidade para a compra de armas, que é o sonho do presidente.

A estes presos e aos familiares mortos, o presidente opta pelo pacto do silêncio. Já o ministro da Justiça, usou a morte de pessoas como palanque para as suas ações.

A postura porca do governo ocorre por todos os mortos serem perigosos comunistas? Eles merecem o tratamento desumano adotado no caso de Evaldo Rosa dos Santos?

Afinal de contas, Jair precisou de cinco dias para lamentar a morte do pai de família pelas mãos de militares. Já o MC Reaça, que se matou após descobrir que a sua amante (que ele também tentou matar) estava grávida, recebeu homenagem pública cinco minutos após a divulgação de sua morte.

O filho feio e sem pai chamado “articulação política do governo Bolsonaro” 

Bolsonaro foi deputado por quase 30 anos, um período muito maior do que outros presidentes brasileiros tiveram para aprender a lidar com o Congresso. Aparentemente, isso não foi o bastante para o cunhado de miliciano aprender como o governo funciona.

Enquanto perde tempo acusando o “centrão” (do qual fez parte) de não apoiar cegamente as suas agendas, o Executivo só conseguiu aprovar 1 de suas 27 proposições no Congresso. Nos últimos seis meses, quando as péssimas ideias não caducavam, elas eram reprovadas por simples falta de articulação de um Planalto que, pelo visto, acredita que os seus projetos tornam-se realidade na base da hashtag.

Tanto é verdade que, quando quer, o presidente consegue aprovar as suas ideias. Na segunda-feira (03), por exemplo, a MP do pente fino no INSS passou no Senado, após o Planalto fechar um acordo com partidos de oposição em torno da aposentadoria rural. Bastou conversar.

É sabido que, para o bolsolavismo, é conveniente o discurso de vítima do sistema. Mas a tese do bode expiatório tem os seus limites, como vários políticos viram no passado.

O presidente cai em contradição quando é forçado por Rodrigo Maia a anistiar multas aplicadas a partidos políticos, mas por outro lado, quando Bolsonaro sai do Planalto para prestigiar homenagem a humorista na Câmara, sem seguranças, e fode com a organização de todas as reuniões já agendadas por Rodrigo Maia, ele só está sendo bem grotesco.

Aliás, grotesco é o termo que define todos os passos da articulação do governo e a sua relação com qualquer outro poder. Basta lembrar, conforme narrou Matheus Leone no Twitter, como foi a votação da MP do pente fino do INSS na Câmara: enquanto o Major Vitor Hugo implorava para o PSL aprovar a Medida Provisória como enviada pela equipe técnica do próprio governo, os deputados do partido se debatiam contra o uso da palavra “gênero” para definir o gênero de quem cair na malha fina da Previdência.

A votação, por sinal, só saiu após o Planalto abandonar a MP do Código Florestal. Afinal de contas, no dia anterior, o governo foi incapaz de organizar a sua base para montar o quórum necessário para votar a medida contra o meio ambiente e a MP 871.

Nem Major Olímpio, líder do PSL no Senado, aguenta mais. Já são públicas as reclamações de falta de apoio da Casa Civil durante as votações, a ausência de orientações sobre o que deve ser defendido e quais são os discursos que podem ser utilizados. Imagina se ele não fosse líder do partido do presidente.

O mais incrível é que, enquanto Bolsonaro faz a sua palavra valer menos do que um pastel de queijo com caldo de cana, os novos estadistas do país são aqueles que, anteriormente, seriam considerados a escória da política.

Nem seis meses de governo e Bolsonaro já transformou a leitura de jornais no café da manhã o hate fuck do povo brasileiro.


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Escrito pelo Guilherme. Revisado pela Marinna e editado pela Luana.

A Nova Era – semana #21: a República da live no Instagram

The following takes place between May-21 and May-27  


Um golpe lento, gradual e inseguro? 

A semana começou ainda curtindo os efeitos do textinho compartilhado por Bolsonarochamando o país de ingovernável. Apesar de tentar negar que o filho feio não tinha pai, a mensagem estava “em consonância com o pensamento” do presidente, conforme afirmou o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros.

Sem uma base para chamar de sua e já colocando a palavra impeachment bem na frente das nossas saladas, o projeto de Fujimori resolveu governar da maneira mais populista possível e, se achando o próprio Ciro (o Grande, não o político cearense e xingador profissional), chamou o povo para fazer uma proto-guerra de proxy, e ir às ruas contra o Congresso e o STF. Afinal de contas, o fim do “toma lá, dá cá” não poderia ser feito na base de uma articulação republicana.

A ideia pegou tão mal, mas tão mal, que até mesmo os bolsonaristas de primeira ordem resolveram brincar de serem sensatos. Janaina Paschoal acusou o presidente de estar se alimentando de conspiração, e os meninos do MBL entraram para a lista de comunistas, avisando que não apoiariam esse tipo de postura (felizmente a internet tem memória e a atitude republicana dos anjos sem asa não durou uma semana). 

O Vem Pra Rua e o Nas Ruas se uniram ao MBL e também avisaram que não estariam no ato golpista. Apesar do apoio a pautas do governo, a coordenadora do Vem Pra rua e o porta-voz do Nas Ruas acusaram a manifestação de “confusa e dispersa” e negaram envolvimento na sua organização. Lambe botas de militar, para eles, só serve se for para pedir impeachment de político petista. 

Deputados também lembraram a loucura que é um governo partir para cima dos outros poderes, e o deputado Marcelo Ramos (PR), afirmou que o protesto “a favor da reforma contra quem é a favor da reforma” é “surreal”

No Senado, Rose de Freitas (Pode-ES) afirmou que o governo “não deixa o Congresso trabalhar” e chamou os líderes de ruins de serviço. Já Omar Azis (PSD-AM) chamou Bolsonaro para mostrar o pau que ele quer usar para matar cobras, e pediu que o presidente afirmasse quem estava fazendo chantagem. Otto Alencar, por fim, lembrou que todas as trapalhadas do governo foram provocadas pelo próprio governo.

O jornal Estado de São Paulo, o veículo com o melhor papel para limpar botina de militar do Brasil, começou a se perguntar se há um presidente no país. Parece que aquela decisão em outubro do ano passado não era tão difícil, né?

Na noite de sexta-feira (18), as ex-BFFs Carla Zambelli e Joice Plaglemann partiram para o tapa (virtual) no twitter, e passaram horas discutindo quem lambia mais a bota de Bolsonaro. Enquanto Joice mostrava que o couro brilha mais com a sua saliva, Carla cobrou da deputada (e plagiadora nas horas vagas) a presença nos atos de domingo.

No domingo (19), Eduardo Bolsonaro afirmou que não havia “nada mais democrático do que uma manifestação ordeira que cobra dos representantes a mesma postura de seus representados“. Quem lesse o tweet sem saber a autoria, poderia pensar que a postagem era uma referência aos atos contra os cortes de verba do MEC, e não uma manifestação do fascismo cultural.

Flávio Rocha, do Brasil 200 (e da Riachuelo), resolveu ficar em casa. O presidente do PSL, Luciano Bivar, também falou que seria melhor ver o filme do Pelé. Jair Bolsonaro, no final das contas, ficou em casa vendo as vídeo cacetadas do Faustão enquanto Carluxo atualizava o Twitter do pai com postagens de apoio à manifestação.

As manifestações de domingo foram horríveis, mas menos horríveis do que imaginávamos. Ver que o número de adoradores do Bolsonaro é menor do que o esperado (mas ainda é alto o bastante para ocupar uma faixa da Avenida Paulista), é tão bom quanto descobrir que você só precisará perder dois dedos e não uma mão inteira após um acidente.

O que a nova direita não entende é que, salvo os deputados do PSL e os governistas não oficiais do Novo, em nenhuma normalidade democrática alguém é obrigado a se unir a favor de um governo just because. Rodrigo Maia faz o que pode para a votação das reformas e outros projetos passarem, mas a articulação de uma reforma a favor, porém, deve ser feita pelo Planalto.

Bolsonaro chegou ao poder prometendo acabar com a venezuelização do país, mas ao contrário dos governos de Hugo Chaves e Nicolás Maduro, o presidente não esperou muito tempo para convocar os seus apoiadores para pressionar, nas ruas, os outros poderes a agirem conforme o desejo do Executivo.

Afinal de contas, o apoio do presidente aos protestos de domingo, ainda que se faça de inexistente, é claro. Tentar traçar tais manifestações como republicanas em função de meia dúzia de cartazes a favor de uma reforma que passará de qualquer jeito é fingir que o bolsolavismo é um movimento democrático e não um agrupamento de viúvas da ditadura.

Se o bolsolavismo quer um Congresso, um judiciário e uma imprensa que se curvem às vontades do mandatário executivo, talvez seja interessante buscar uma coroa em Petrópolis e transformar Jair Bolsonaro em um novo Luís XVI. Mas tomem cuidado: certamente há alguém disposto a amolar a lâmina de uma guilhotina nos rincões do país.

Uma guinada parlamentarista lenta, gradual e segura? 

O flerte com o “tudo ou nada” de Bolsonaro, naturalmente, não foi bem recebido por quem bate ponto na Câmara. A insistência no confronto azedou ainda mais uma relação, que já não tinha um gosto tão bom assim, com os parlamentares brasileiros e nos fez subir mais dois degraus na escadinha que vai em direção ao parlamentarismo branco.

Após colocar para tramitar a própria reforma da Previdência e a própria reforma tributária, Maia percebeu que não precisaria falar com quem já não falava tanto assim. Diante de mais um ataque indireto do Major Vitor Hugo, o presidente da Câmara afirmou que não há mais meios para consertar a relação com o líder do governo.

Talvez o homem que pode, a qualquer momento, colocar um impeachment para rodar, tenha cansado de explicar aos membros do governo (e seus apoiadores) como a política realmente funciona. Nesse clima amigável, a Câmara começou o dia 22, os trabalhos de votação da Medida Provisória 870 (aquela que validaria as mudanças nos ministérios feitas pelo governo no começo do ano).

Sai das asas de Damares Alves a Funai e dos braços de Sérgio Moro a Coaf (mas não para ir parar mas mãos do Fernandinho Beira-Mar). Em troca, o Centrão deixou de recriar os ministérios da Integração Nacional e das Cidades. Além disso, os auditores da Receita Federal ficariam proibidos de comunicar qualquer investigação sobre crimes financeiros.

A votação, naturalmente, foi tão bagunçada quanto qualquer coisa que envolve esse governo. Os deputados governistas pegaram em seus telefones e começaram a brincar de vlogueiros para convocar a sua militância a fazer pressão pela internet. Rodrigo Maia não curtiu muito e terminou a sessão antes que a MP 870 fosse votada.

A criação do Ministério das Cidades tinha sido acordada entre os principais líderes políticos do Executivo e do Legislativo. Ao ignorar esse acordo, o presidente minou ainda mais a sua capacidade de articular projetos nos próximos anos e, de quebra, deu mais motivos para deputados e senadores ignorarem os pleitos do Planalto.

Apesar dos pesares, Bolsonaro conseguiu passar o projeto pelo Congresso. Sobre a votação do texto no Senado, o presidente pediu com jeitinho para que os Senadores não mudassem nada do que os deputados tinham decidido. Falta só combinar com o PSD, que já tinha anunciado a vontade de apoiar a manutenção da Coaf com Moro.

O fato é que os deputados moderados que estão a favor das reformas já não escondem mais a sua insatisfação com o Planalto. Enquanto Jair torna a sua caneta Bic irrelevante e os deputados do PSL fazem picuinha com bobagem, o Congresso se fortalece na luta entre os poderes, que só existe porque o governo é burro demais para cumprir a própria palavra por 24 horas. Depois a gente vira parlamentarista e ninguém entende o motivo.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos 

A nova direita é brega e mentirosa 

Witzel, Caio Coppola, Fábio Morgenstern e Joice Plagelmann. O que todos têm em comum? Uma crise de identidade pesada.

O governador do Rio de Janeiro foi pego mentindo no próprio lattes na última semana. O doutorado em Harvard nunca foi cursado, mas, para o ex-juiz, é uma fake news afirmar que ele não fez o que, no final das contas, não fez.

Se o governador mente onde estuda, Joice Plagelmann mente sobre o que escreve para se fazer da boa jornalista que nunca foi. A deputada do PSL tem um desejo incansável de usar ideias alheias, seja na hora de publicar matérias ou na hora de fazer Projetos de Lei. Seria Joice uma ancap que não acredita em propriedade intelectual?

Já Caio e Fábio adotaram “nomes artísticos” desde o começo das suas carreiras como comentaristas conservadores. Certamente uma tecnicalidade, como diria Caio. Não uma tentativa de esconder negócios paralelos.

A nova direita não é apenas brega. Ela mente o seu nome, mente a sua formação e mente sobre o que escreve. Para um grupo conservador que adora posar a favor da verdade e da moral, é bastante engraçado vê-los sendo pegos com “as calças arriadas” por aí.

É uma pena, porém, que ninguém perde o emprego na Jovem Pan ou no governo carioca por pequenas mentirinhas.

Um meltdown governamental lento, gradual e seguro? 

O saldo da semana é de que o governo continua perdendo força, e deixando de fazer política para brincar de briga de espadas. O que é um problema tanto para Bolsonaro, quanto para as nossas instituições e o país.

Existem hoje 143 deputados declaradamente na oposição. Para barrar projetos que demandem uma emenda constitucional, por exemplo, são necessárias apenas outros 62 votos contrários. Troco de bala.

No contexto em que a palavra impeachment está na boca não só do presidente, cai bem tomar cuidado e evitar que a corda que ele colocou em seu pescoço fique mais apertada.

A pressão que uma meia dúzia de abobados fez contra o Congresso nos últimos dias pode, a qualquer momento, se virar contra o próprio presidente. Basta lembrar o que aconteceu com Michel Miguel e Aécio Neves, em um passado não tão distante assim.

O governo já chega em seu sexto mês e, até agora, há pouco sinal de melhoria ou de avanço real nas principais promessas de Bolsonaro. A menina dos olhos de Sergio Moro, por exemplo, acumula mais poeira do que a boneca Annabelle no porão da casa de Ed e Lorraine Warren. Bobo é pensar que o bolsolavismo precisa de um Bolsonaro para continuar sobrevivendo: ele não chegou aqui com ele e, definitivamente, continuará aqui sem ele.

O governo já chega em seu sexto mês e, até agora, há pouco sinal de melhoria ou de avanço real nas principais promessas de Bolsonaro. A menina dos olhos de Sergio Moro, por exemplo, acumula mais poeira do que a boneca Annabelle no porão da casa de Ed e Lorraine Warren. Bobo é pensar que o bolsolavismo precisa de um Bolsonaro para continuar sobrevivendo: ele não chegou aqui com ele e, definitivamente, continuará aqui sem ele.

Não adianta Paulo Guedes aparecer nas páginas da Veja afirmando que o país pegará fogo se a reforma da Previdência não for aprovada, as mudanças no sistema previdenciário por si só, não criarão um cenário sólido o bastante para o país retomar o seu crescimento.

O ministro está certo ao dizer que o país pegará fogo se o cenário econômico não melhorar nos próximos anos. O que ele não nota, porém, é que enquanto ele estiver no seu jatinho em direção a um paraíso fiscal para chamar de seu, a principal fonte de fumaça será a casa em que Bolsonaro dorme.

Bolsonaro trucou. As “vozes cínicas do establishment” trucaram de volta e metade do Brasil continuará fazendo cocô no fundo do quintal.


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Escrito pelo Guilherme. Revisado pela Marinna e editado pela Luana.