Roupa suja: Uma ideologia, uma revolução

Com a democratização das linhas telefônicas na gestão presidencial demotucana e, consequentemente, da popularização do acesso à internet de alta velocidade nos governos petralhas, diversos grupos começaram a se articular em busca de uma militância mais forte, combativa e quiçá propositiva. Assim, grupos feministas, LGBT, contra os racistas, os tetistas, os petistas, os direitistas e outros “istas” da vida conseguiram militar com muito mais eficiência. As consequências dessas articulações estão em todos os jornais, sites e em até dentro do corpo de algumas pessoas. Hoje as militâncias saíram dos DCE’s e grupos de discussões para dominar o mundo. Problemas ideológicos ou de discursos à parte, devemos nos colocar contra uma grande opressão da nossa sociedade: a necessidade de se manter limpo e arrumado.

A população tem que entender que o uso de uma roupa amassada e meio sujinha faz parte de um trabalho de desconstrução social que visa repensar o papel da roupa limpa na sociedade. O uso da roupa suja vai além de um simples protesto contra a nossa sociedade retrógrada e que impõe na vida das pessoa a necessidade de usar uma roupa sempre limpa e passada. Cabe a nós, que possuímos um olhar progressista e aberto às novas possibilidades de avanço da sociedade nos unirmos em prol dessa luta. Temos que acabar com essa imposição e mostrar ao mundo que o uso de uma roupa sujinha te coloca em um novo nível de diálogo com o espaço público, com quem frequenta as ruas e com a própria rua. Outra vantagem é o fato do uso da roupa suja elevar os debates sobre o conceito de ocupação do espaço público para outro nível e nos colocar em contato com uma população que na maior parte do tempo é ignorada pelo nosso Estado neo-liberal-protofascista: os mendigos, digo, com os moradores de rua.

sai daqui voce vai morrer
Morador de rua que acabou sendo cooptado pelo sistema

O uso da roupa limpa nada mais é do que uma construção da nossa elite higienista que quer moldar o estilo de vida das classes dominadas obrigando o explorado a se adequar a um estilo que vida que não necessariamente faz parte da periferia. As pessoas conviviam muito bem com as suas sujeiras até a Revolução Industrial e a ascensão da burguesia, está aí a história que não me deixa negar. Além de um esforço claro no sentido de uniformização ideológica e negação de individualidade, a lavagem de roupas vai contra o curso natural do universo e da luta por uma sociedade que é contra a exploração do capitalismo. Ao lavar roupa estamos financiando a manutenção de empresas multinacionais que vieram para o Brasil no século passado querendo explorar o povo e “branquear” a população por meio de propagandas de cunho fortemente racial (alô empresas de sabão em pó, estamos falando de vocês).

Essas forças atuam com a uma agenda que quer claramente a imposição da organização social feita para deixar-nos conformados desde pequenos. Tal organização trabalha para a manutenção do sistema opressor que beneficia classes dominantes impedindo revoltas populares em busca do direito de ser sujo. Não podemos esquecer, é claro, da questão mais importante de todas: quando você usa uma roupa limpa, de que lado você está se colocando? Do lado do opressor neo-liberal-protofascista ou do oprimido? De que lado você samba, digo, suja a sua roupa? Pois saiba que quem se cala diante da opressão do lado da opressão se coloca.

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