TOP 5: Músicas de mensagens ao vivo.

Poucos sabem mas uma crise econômica é uma ótima maneira de se reinventar a economia. Não fosse gente como Collor, não teríamos conhecido as famosas Bestas (equipadas com um aparato “made in china” de ultima geração). Eram delsa que saiam cachorros quentes que fariam até os sanduíches feitos por Arthur Dent ficarem com inveja(poucos sabem mas por trás de cada sorriso no rosto de um dono dessas “maquinas do prazer”, existe uma máfia digna de episódio do CSI que poderemos falar sobre eventualmente (o mesmo vale para a máfia dos vendedores de balas de ônibus)). Também, graças ao Collor, conhecemos a coqueluche de todos os meios de se falar “eu te amo” para uma mulher: o carro de mensagens ao vivo.

Pois todos nós sabemos que mulheres são seres exigentes. Justamente por isso, dizer que ela é o que te faz sair dançando com um monte de desconhecidos vestindo roupas azuis ao som de You Make My Dreams Come True não é o bastante para provar o seu amor puro e verdadeiro: você TEM que fazer algo melhor do que simples palavras. Você tem que pagar por uma mensagem ao vivo.

O mercado das mensagens ao vivo, junto com o das mensagens telefonadas, é um mercado prospero e rentável. Nele, os lucros são altos e a falência é algo inexistente. Com a ajuda dos empreendedores que mantém esse mercado, uma rede de artistas conseguiram galgar um lugar na eternidade com músicas que conseguiam expressar os seus reais desejos por sexo e amor eterno.

Hoje, após longos meses nas mais perigosas regiões urbanas fazendo pesquisas de campo, o Alo, PF! tem o orgulho de apresentar a lista das cinco melhores músicas de mensagens ao vivo já feitas. Coloque o seu melhor fone de ouvido, sente em sua poltrona, feche os seus olhos e venha comigo nessa viagem louca pelo mundo dos grandes crooners românticos.

Menção honrosa: I’m With You – Avril Lavigne

Começamos com a nossa menção honrosa à pequena princesa do pop-rock. Quem vê o clipe da música percebe facilmente uma clara ligação do mesmo com aquilo que normalmente sentimos ao receber uma mensagem ao vivo: um louco desejo de sair andando pelas ruas se perguntando “o que eu fiz pra merecer isso?”. Avril consegue unir charme, carinho e a vontade de receber amor de alguém em suas músicas, transformando as mesmas em verdadeiros hinos ao amor maior que eu, yeah, um amor maior que eu (que eeeeeu).

5 –  Fagner – Borbulhas de amor

Quem me dera ser um peixe, para no som límpido deste carro de som tocar. Quem me dera ser amado, para alguém essa música poder dedicar. A voz de Fagner bate em nosso coração e faz tremer até os homens mais duros.

Que atire a primeira pedra quem nunca se pegou pensando na mulher amada ao ouvir essa música. E é por isso que ela está na nossa lista. Seja o peixe no aquário de quem você ama e não deixe de dedicar essa música a esse(a) infeliz.

4 – Marvin Gaye – Let’s Get It On

O clássico dos clássicos. Let’s Get It On é o único convite para uma noite de amor possível. A sua letra envolve, te abraça com carinho e amor.

Abaixe as luzes, sinta o vento frio ser aquecido no calor do seu corpo nu. Embale o seu romance com esse clássico. We’re all sensitive peolple with so much to give”, disse o homem. E nesse momento, o melhor que você pode oferecer é uma sensual e inimista mensagem ao vivo.

3 – Tim Maia – Eu Amo Você

Tim Maia é, de longe, um dos maiores cantores românticos brasileiros. Suas músicas embalaram grandes histórias de amor, tanto no profissional quanto no pessoal. As canções do síndico tocam o coração por serem sinceras.

Quem escuta a voz de Tim Maia sabe que aquela voz já sofreu por amor tanto quanto foi feliz. E toda vez que você olhar para aquele carro entupido de néon, toda vez que você pensar em enviar uma mensagem ao vivo para alguém, toda vez que você pensar em dar a alguém essa oportunidade, lembre-se daquilo que homens fortes e sinceros passaram para poder entregar essas belas canções a você: uma punheta mal batida num banheiro sujo de beira de estrada ao som de lágrimas tristes.

2 – Kid Abelha – Como Eu Quero

O nosso terceiro lugar vem quebrar a melação de cueca provocada por Tim Maia e tornar a nossa noite mais sensual. Após o fim da mensagem, tudo o que você irá desejar é correr para o quarto e ficar sério sem a sua bermuda Cargo. Mostre que o solo do seu instrumento é potente e faça a sua amada te querer com essa música. Com o doce “uuuu” de Paula Toller até as primas dos seus amigos estarão te querendo.

1 – Wando – Fogo e Paixão

Charme, sensualidade, calcinhas voando e gingado. Não há amor que não fique melhor após essa música ser tocada. Fogo e Paixão é um convite para uma noite com risadas, um bom vinho, um jazz no discplay e o fogo da lareira dando aquela embalada.

Mostre que alguém é a sua luz, o seu raio, estrela e luar. Prove que nada importa quando uma bela homenagem pode ser feita com um carro de som. Pois sim, até o mais duro dos homens pode amar. Inclusive você.

Triste história de um protoniilista

Era um garoto com muitos sonhos, muitos desejos. Ele realmente queria ser alguém.

Um belo dia esse garoto foi apresentado para um monte de ideias coletivistas. Ele achou elas fascinantes. Os ideais de justiça social, a ideia de um mundo totalmente novo, sem miséria e sem classes fez os seus olhos brilharem. Mas aí ele viu que um mundo assim iria cortar muitas liberdades individuais. Também percebeu que um Estado que intervisse excessivamente na vida do homem poderia ser algo não muito legal, então resolveu adotar outras ideias para a sua vida.

Eis que foi barrado com uma ideia de mundo sem Estado algum. Era sensacional? Lógico. Inovador, subversivo, transformador. Mas espere, se o mundo com força coerciva está assim, imagina sem?

Isso não pareceu muito viável. Não naquele momento. Não no mundo em que ele vivia.

Eis que chegaram uns caras que pretendiam cortar o Estado. Diziam que a força da mudança no mundo se encontra nas pessoas (o que não deixa de ser uma verdade). Seus ideais construíram uma sociedade, mudaram o mundo. Parecia interessante, mas sem um Estado intervendo na economia vez ou outra algo daria errado. Mudou de ideia novamente.

Eventualmente, ele percebeu que esses homens perdiam muito tempo brigando no campo das ideias e fazendo uma mudança real no mundo.

Eventualmente, ele percebeu que a maioria desses homens estava mais preocupado em massagear o ego do que mudar a sociedade em que eles viviam.

Eventualmente, ele perdeu a fé na maioria da humanidade e viu que estaríamos ferrados de qualquer maneira.

Eis que, após aquele momento, ele percebeu que poderia tornar o seu caminho até a destruição menos ruim, menos doloroso.

Naquele momento ele abandonou os homens que muito falavam e tratou de melhorar, na medida do possível, a vida daqueles que esbarrassem com ele durante a sua jornada.

Somos gordos, somo cultos. Fora blogueiros corruptos!

Algumas coisas na internet eu considero imortais. Elas superam novos serviços, o “atestado de morte” de entusiastas de social média (que vieram direto daquela agência super descolada), superam Twitter, Youtube e até gente enfiando objetos religiosos no orifício anal. Blogs, fóruns, serviços de e-mails e imageboards frequentados por gente estranha estão para a internet assim como aquele apelido que você ganhou na sexta série quando desmaiou sobre a sua merenda: façam o que quiserem, eles não só são insubstituíveis como também são os melhores naquilo que se prestam a fazer. Não há Twitter que substitua um blog, não há comunidade no Orkut que substitua um fórum, não há transa que substitua um imageboard e não há Whatsapp que acaba com um e-mail carregado de fotos daquela sua amiga do escritório que você pega escondido e sem compromisso. Não há.

Clique na imagem para ver ela no site original ou fique aqui mesmo lendo o texto
A blogsfera brasileira segundo o site Malvados

Porém a classe blogueira de várzea, a classe blogueira arte, a classe blogueira de raiz deve se atentar para as insistentes tentativas por parte de uma minoria elitista e protocarteiradista de avacalhar o bagulho. Ser blogueiro é uma arte que existe desde o início da World Wide Web, quando os blogs se resumiam à postar textos do cotidiano. A internet era composta por pessoas donas de blogs hospedados no Blogger (e outros serviços mais velhos e obscuros ainda) com temas de fundo preto, gifs e muita letra prateada. Ali, pessoas se encontravam para debater sobre diversos temas na seção de comentários em um tom amigável e com boas risadas. Altas confusões e aventuras eram aprontadas por aquela turma do barulho da internet. Assim como, um belo dia, um sujeito descobriu que cercar uma terra e chamar ela de sua propriedade privada era uma ideia boa (para ele), um belo dia um sujeito descobriu que posts pagos e anúncios em todos os cantos de uma página eram bons e davam grana o bastante para alguém sobreviver. Foi aí que começou a putaria.

Quem frequenta a internet desde o início da década viu a evolução das ferramentas de acesso (fomos de modens 28kbps a telefones com conexões de 28Mbps para clientes de qualquer operadora que não seja a Tim) e a mudança dos blogs. Vimos o Posterous ser comprado pelo Twitter – parar morrer tempos depois, vimos o Yahoo! quase ir para o limbo e acreditamos quando a MS prometeu o IMAP no Hotmail. Quando ainda frequentávamos páginas do Orkut em busca de links para downloads de séries, uma parte da internet via com olhos cheios de fúria e ódio algumas pessoas criarem blogs focados em espalhar conteúdo roubado de outras fontes (muitas vezes imageboards do exterior) e postarem como se fosse um grande achado. Depois daquele dia, a internet foi dominada por postagens com uma tirinha de meme, um vídeo de um russo dançando de maneira estranha em uma balada (como se dançar samba fosse algo muito normal. Sério, olhem para aquilo, não é humana a maneira como dançamos samba. Não é.) ou simplesmente os “melhores links da semana mas que na verdade são apenas uma promoção do site dos meus melhores parceiros que eu combinei previamente”.

Internet antes do Windows XP. Dizem que você nem existia naquela época

A máfia dos blogueiros profissionais brasileira luta por RT’s, apoio de amigos, posts patrocinados, banners de grandes empresas, presentes, indicações no YouPix, presença em palestras, eventos de social media e até presentinho de marca famosa. Para eles, reconhecimento é algo primordial e o número de page views mensal vale muito mais do que barras de ouro. Identificar um blogueiro metido a famosão na internet é fácil, basta buscar por alguém que responda à algum insulto dentro de um estabelecimento comercial com o clássico “VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? VOCÊ SABE QUANTOS PAGE VIEWS EU POSSUO POR MÊS? VOCÊ SABE QUANTOS RT’S EU GANHO POR DIA?”. Também não é raro ver blogueiros profissionais pedindo para entrar em uma balada só para testar um negócio rapidinho e dar uma olhadinha (quase sempre se oferecendo para fazer uma parceria se a olhada for lucrativa). Criaturas de pouca confiança, blogueiros profissionais são vistos navegando em bandos e comemorando o fim do Google Reader. “Com o fim do Google Reader e o uso de rss com postagens resumidas a quantidade de acessos do meu blog aumentou em 23%, até um upgrade no meu servidor eu tive que fazer”, disse um blogueiro que não quis se identificar para o nosso site. Não muito raro, pedem para as suas leitoras fotos com o nome do blog escrito em seus corpos para atraírem mais acessos masculinos ao site, uma prova clara de que os blogueiros também apoiam a manutenção dos privilégios de uma sociedade machista, elitista e que oprime até quem gosta de ficar sujo.

Sentimentos, malícia e sagacidade. É disso que um blogueiro precisa.
Sentimentos, malícia e sagacidade. É disso que um blogueiro precisa.

Não queremos, é claro, o fim dos blogs pagos. O Alo, PF! apoia que todos ganhem dinheiro da maneira que acharem mais justa (afinal de contas, o capitalismo não serve para garantir esse tipo de liberdade econômica?). O que nós queremos vai muito além de vinte centavos. A classe blogueira de várzea deve se unir e ir às ruas lutar pela volta da blogagem arte, a blogagem de raiz. Juntos iremos mostrar ao povo que a internet clássica ainda existe, que a Vila dos Computador jamais saiu das nossas mentes. Independente do Facebook, Twitter, Youtube ou demais serviços que criarem, nós jamais nos calaremos frente à opressão do sistema. E é por isso que hoje eu afirmo: ou voltamos para as nossas raízes ou seremos os futuros jornalistas de redação.

Roupa suja: Uma ideologia, uma revolução

Com a democratização das linhas telefônicas na gestão presidencial demotucana e, consequentemente, da popularização do acesso à internet de alta velocidade nos governos petralhas, diversos grupos começaram a se articular em busca de uma militância mais forte, combativa e quiçá propositiva. Assim, grupos feministas, LGBT, contra os racistas, os tetistas, os petistas, os direitistas e outros “istas” da vida conseguiram militar com muito mais eficiência. As consequências dessas articulações estão em todos os jornais, sites e em até dentro do corpo de algumas pessoas. Hoje as militâncias saíram dos DCE’s e grupos de discussões para dominar o mundo. Problemas ideológicos ou de discursos à parte, devemos nos colocar contra uma grande opressão da nossa sociedade: a necessidade de se manter limpo e arrumado.

A população tem que entender que o uso de uma roupa amassada e meio sujinha faz parte de um trabalho de desconstrução social que visa repensar o papel da roupa limpa na sociedade. O uso da roupa suja vai além de um simples protesto contra a nossa sociedade retrógrada e que impõe na vida das pessoa a necessidade de usar uma roupa sempre limpa e passada. Cabe a nós, que possuímos um olhar progressista e aberto às novas possibilidades de avanço da sociedade nos unirmos em prol dessa luta. Temos que acabar com essa imposição e mostrar ao mundo que o uso de uma roupa sujinha te coloca em um novo nível de diálogo com o espaço público, com quem frequenta as ruas e com a própria rua. Outra vantagem é o fato do uso da roupa suja elevar os debates sobre o conceito de ocupação do espaço público para outro nível e nos colocar em contato com uma população que na maior parte do tempo é ignorada pelo nosso Estado neo-liberal-protofascista: os mendigos, digo, com os moradores de rua.

sai daqui voce vai morrer
Morador de rua que acabou sendo cooptado pelo sistema

O uso da roupa limpa nada mais é do que uma construção da nossa elite higienista que quer moldar o estilo de vida das classes dominadas obrigando o explorado a se adequar a um estilo que vida que não necessariamente faz parte da periferia. As pessoas conviviam muito bem com as suas sujeiras até a Revolução Industrial e a ascensão da burguesia, está aí a história que não me deixa negar. Além de um esforço claro no sentido de uniformização ideológica e negação de individualidade, a lavagem de roupas vai contra o curso natural do universo e da luta por uma sociedade que é contra a exploração do capitalismo. Ao lavar roupa estamos financiando a manutenção de empresas multinacionais que vieram para o Brasil no século passado querendo explorar o povo e “branquear” a população por meio de propagandas de cunho fortemente racial (alô empresas de sabão em pó, estamos falando de vocês).

Essas forças atuam com a uma agenda que quer claramente a imposição da organização social feita para deixar-nos conformados desde pequenos. Tal organização trabalha para a manutenção do sistema opressor que beneficia classes dominantes impedindo revoltas populares em busca do direito de ser sujo. Não podemos esquecer, é claro, da questão mais importante de todas: quando você usa uma roupa limpa, de que lado você está se colocando? Do lado do opressor neo-liberal-protofascista ou do oprimido? De que lado você samba, digo, suja a sua roupa? Pois saiba que quem se cala diante da opressão do lado da opressão se coloca.

Feliz 2012 a todos vocês

2011 foi um ano grade. 365 dias, para vocês terem uma noção exata do quão grande ele foi.

 

(rip)

É difícil fazer um texto falando o quão interessante esse ano foi para nós, do “Alo, PF!” e para você que nos lê. Ok, nem tanto. Teve gente vendo que rodar o Brasil do Oiapoque ao Chuí para beijar uma garota pode não valer tanto a pena assim (e que pode dar um belo prejuízo), alguns viram suas fotos do carnaval de 1998 em Pirituba caindo na internet, alguns veneraram prédios com a calça arriada e uns se ocuparam de reviver blogs com contos eróticos envolvendo jovens artistas no Facebook. Não podemos esquecer aquela galera que vivia ficando bêbada e fazendo twitcam para exibir o corpo, ou aquela que só ficava bêbada e compartilhava isso no Twitter.

Teve até gente que descobriu se possuí (ou não) mente aberta.

Na maior parte do tempo, ficamos imaginando que um novo ano vai mudar a sua vida, que várias coisas novas virão. O que não notamos é que, ao ficar vendo o tempo passar, estamos agindo igual a quem passa horas em frente a um relógio esperando as horas passarem. Por mais que a gente não note enquanto observa o relógio, o tempo está passando (e a nossa vida está mudando também). E quando assustarmos, um outro ano vai ter passado, e você verá que se tornou uma nova pessoa.

PORÉM, isso não importa mais. Isso é passado (mesmo que as fotos ainda estejam na internet). Um novo ano chegou.

Nós sabemos que desejar algo aqui não vai adiantar em muita coisa. De qualquer maneira, tente ajudar o Google a não criar uma nova rede social destinada ao fracasso e tente não bancar o idiota na internet. Amigo, ninguém estará interessado em saber que você curtiu aquele post do “Humor No Faice”, então nos poupe do seu share.  E todos nós já lemos aquele post no 9gag, seu merda. E poupe-nos de saber que as suas amigas são sensacionais, moça bonita.

Mas não nos poupe dos seus peitinhos, sua linda.

É, realmente não é fácil desejar coisas legais para vocês no ano novo. Dar alguns conselhos é até fácil, mas desejar algo não é. Não somos o Rafael.

Aproveite bem o ano, tenha uma toalha ao seu lado no dia 21 de dezembro (é tudo o que você irá precisar) e lembre-se que, mesmo que você não queira trabalhar na segunda-feira, toda resistência é inútil e as contas continuarão vencendo no final do mês.

Ah, se possível, tentem ser bons. Evitem comer gordura, leiam um bom livro de vez em quando, caminhem regularmente e tentem viver em paz e harmonia com
pessoas de todos os credos e nações, pois é isso o que realmente importa.

Um abraço, e um beijo do Matias para vocês.

smack

55 (take 2)

-Gabriel!

Ele não respondeu.

-Gabriel!

Quando ele se virou, retirando os fones de ouvido e implorando para ter se enganado em relação à dona da voz que ouvira, ele a viu vindo em sua direção. O sol forte daquele dia parecia dar um brilho especial ao logo cabelo dourado dela. Sua pele continuava incrivelmente branca; seu sorriso, renovado. Cada passo em sua direção foi como um soco no seu peito, que lhe tirava o ar do pulmão e a consciência da mente.

Ao se lembrar de como tinha sido a última conversa dos dois ele se assustou com o tratamento que estava recebendo. Muito gentil, muito sorridente, muito calma para o meu gosto – ele pensou. Procurou parecer calmo, mesmo que cada átomo do seu corpo o impedisse de fazer essa tarefa (que para ele parecia ser a maior proeza que ele poderia realizar em toda a sua vida). O seu nervosismo aumentava a cada pergunta que ela fazia e, cada pergunta que ela fazia parecia ser motivada pelo seu nervosismo. Onde esteve, aonde ia, o que fazia. Tudo para ela significava uma pergunta acompanhada de um olhar curioso e um sorriso que, pelo menos para ele, parecia ser bastante cínico.

Por alguns instantes a conversa cessou e ambos se limitaram a uma troca de olhares. Para ele foi como uma cena de filme em que o mundo para e tudo se resumo ao casal de protagonistas se olhando. Para ela… Bom, quem se importa?

Falaram algumas poucas palavras e se despediram. Evitou olhar para ela enquanto ia andando. Não queria vê-la indo embora novamente. Não queria relembrar certas memórias.

Olhou para ele implorando para que ele a olhasse. Arrumou o cabelo sem entender o motivo da mágoa que sentia por não ter recebido um olhar dele e foi almoçar com sua amiga.

#55 (take 1)

Nove meses depois ele voltava para a sua cidade natal. Estava estranhamente feliz naqueles dias. Escolheu morar no centro da cidade. As caixas da mudança ainda fechadas se misturavam aos quadros recém comprados que em breve seriam colocados nas paredes do apartamento escolhido. Aqueles primeiros dias foram agitados, com a procura de um emprego, a escolha do apartamento, a busca pelos móveis e todas aquelas burocracias que o impediram de comunicar a qualquer um que tinha voltado.

Sentia medo por não saber exatamente o que seria da sua vida com aquela mudança. Naquela manhã ensolarada resolveu que sairia para procurar por seus amigos no primeiro final de semana. Vestiu uma de suas melhores roupas e saiu para se inscrever na aula de violino.

Tudo aquilo que esqueceram de te falar antes de beijar a boca dela(e) e você não sabia ou evitava saber

Para quem não sabe, um relacionamento é o ato de unir duas pessoas que não pensam necessariamente igual e fazer AMBAS pensarem junto. Seja numa amizade, namoro, ou casamento; uma relação pode ser resumida nisto (ou algo assim). Eu defendo a idéia de que deveríamos viver em estado de “semi-isolamento”, nos encontrando com os nossos semelhantes somente no momento da procriação. Como nem eu sigo esta tese, explico-a com mais detalhes (e provo que estou certo) em outro momento. O fato é que um beijo leva ao sexo, que leva a outro, que leva a uma paixão, que leva a um namoro, não necessariamente nessa ordem.

NOTA DO AUTOR: Se você for uma pessoa mais apressada, gostaria de lembrar que o que está neste texto não vai, necessariamente, se aplicar a você. Também não leve tudo o que está aqui como verdade absoluta, não vale a pena. E o mais importante: os ensinamentos deste texto foram retirados das experiências do autor e de pessoas próximas a ele ao longo dos seus longos anos de frustrações amorosas. Se você já beijou a minha boca alguma vez, saiba que sim, você me ajudou a construir o texto que se segue. E não, eu não vou falar para você qual a parte da qual és responsável. Sua vadia (rs).

OUTRA NOTA DO AUTOR: ele tá com preguiça de procurar imagens para colocar neste texto, então vocês que se resolva aí lendo um texto com uma única imagem.

Quando conhecemos alguém e por esse alguém nos apaixonamos, dificilmente fazemos caso dos defeitos. É bem verdade que isso é um “mal necessário”, já que ninguém vai se apaixonar por alguém sabendo que essa pessoa costuma aceitar carona de estranhos querendo saber se você possui mente aberta por estar vestindo camisas gays “otaku like”, que ouve Tim Maia nas manhãs de domingo ou que ela curte Glee, não é mesmo?

O grande problema desse tipo de atitude, é que com o desenvolvimento do relacionamento, esses defeitos tendem a se tornar a coisa mais insuportável do mundo (não, ele não gosta de assistir Glee com você, desiste fia). Aliado a isso, temos aquela famosa liberdade que se cria com o tempo e que nos dá o direito de fazer certas coisas, tais como: um peido para aquecer o teu piu piu quando vocês forem dormir de conchinha, um arroto após o aquele almoço de domingo na casa dela (com a mesa lotada, lógico), seu namorado te chamando de louca durante a sua TPM sem medo de ser feliz (ou assassinado), ou a sua namorada te pedindo para mudar aquele pequeno hábito que no início do namoro te fazia ser “o cara”, mas que agora te faz ser apenas um babaca. Logo, meu jovem e inexperiente aprendiz padawan, saiba que ninguém vai mudar por você. Não completamente.

amor toco frio me aquece pfv

Aí você me pergunta “como assim não vai mudar de verdade, ó mestre do saber e portador do conhecimento universal, menino Guilherme?” e eu respondo você dizendo que a pessoa pode até mudar, mas só enquanto estiver ao teu lado. Tenha em mente que assim que a sua relação for para a puta que pariu, a pessoa vai voltar a ser o que era, ou algo semelhante. O que eu tenho a dizer para você? Se adapte aos defeitos da pessoa. Ninguém é perfeito e nem tem que se moldar ao que você acha que é o ideal. Então você diz “mas ele tem que mudar, ele tem que melhorar, é para o bem dele!!!” e eu respondo “tudo bem, mas quando tu ver que a pessoa já não é mais quem você conhecia, não reclame, pode ser?”

Vamos dizer que a mudança é realmente necessária e que ela tem que parar de assistir Glee e começar a assistir séries de verdade, não seja A razão da mudança, e sim uma das razões para a pessoa mudar. Isso já ajuda bastante, sério.

Outra coisa que muito tenho visto por aí é o péssimo hábito das pessoas de não falarem o que estão sentindo (risos) de verdade, seja isto algo bom ou ruim para o parceiro. Duas desculpas são muito famosas nesses casos, são elas “eu não te queria fazer sofrer” e “o problema não estava em mim, e não em você”. Tais frases costumam ser uma ótima maneira de reduzir a dor alheia, só que não.

Se algo estiver dando errado, diga, insista, converse. Não deixe que uma coisa boba se torne um motivo para um fim de algo que está dando certo. E insista novamente, já que quase nunca é tarde para dar uma segunda chance ao ~amor~.

Agora a grande questão que muitos assola será respondida: O que significa dizer que um relacionamento deu certo? Para muitos, um relacionamento que dá certo é aquele que nunca acaba. Contudo, várias linhas de pensamento propõem algo diferente e permitem que um relacionamento que não dure para sempre possa ser considerado um relacionamento que deu certo. Ou algo assim. Um levantamento feito com os mestres do saber @vinik, @rafabarbosa e @ohmaria nos trouxe algumas respostas interessantes, são elas:

(11:28:10) @ohmaria: que vc aprendeu algo com a pessoa, ensinou algo a ela e ainda repeita-a e é respeitado por ela

(11:28:18) @ohmaria: mas isso teoricamente

(11:28:53) @ohmaria: pra mim “deu certo” é permanecer junto, com esses pontos q citei acima

(11:29:25) Guilherme: Juntos “para sempre”?

(11:30:03) @ohmaria: se possível

(11:31:43) Guilherme: e se não ficarem juntos, ainda assim, é possível dizer que deu certo?

(11:32:09) @ohmaria: calma

(11:32:35) @ohmaria: digo que TEORICAMENTE dar certo é um relacionamento q teve esse pontos q te falei

(11:32:42) @ohmaria: mas na minha cabeça

(11:32:49) @ohmaria: e como funciona na MINHA prática

(11:33:03) @ohmaria: só “esta dando certo” se vc ainda ta com a pessoa

[…]

(11:39:29) @ohmaria: mas eu acho q se ambos acrescentarem algo ao outro etc

(11:39:38) @ohmaria: não vejo mto fora desse parâmetro

(11:39:44) @ohmaria: de “ter dado certo”

Já @vinik vai além:

(12:01:24) vinik: Todos saem ganhando

(12:01:25) vinik: Ou seja

(12:01:34) vinik: verbo conjugado no passado = acabou

(12:01:51) vinik: senão seria “está dando certo” <- telemarketing ftw

(12:01:54) vinik: porém

(12:02:03) vinik: como foi algo certo, ninguém saiu perdendo

(12:02:20) vinik: CLÁUSULA 1 – DOS GANHOS

Se, quando o relacionamento começou o participante era:

1.1 – Virgem, ele no mínimo fez sexo (mínimo 2 vezes, para não ser considerado como one night stand)

1.2 – Era pobre, ganhou mais de 6 presentes (até 2 é só considerado parente, até 5 é só amigo intimo)

(12:03:31) vinik: CLÁUSULA 2 – DAS PERDAS:

Nenhum participante sente que está perdendo muito, já que já obteve o máximo do relacionamento. Então não há motivos nem para voltarem futuramente, nem para ficarem tristes por ter acabado

(12:05:14) vinik: CLÁUSULA 3 – DOS REBOUNDS

Como deu certo, não haverá rivalidade entre os ex-participantes dos relacionamentos, então, está permitido:

3.1 – Pegar os amigos do participante

3.1.1. – Salvo os amigos mais íntimos, para não ferir o Bro Code

3.2 – Pegar parentes (parente nunca serão amigos, por mais íntimos que sejam)

3.3. – Pegar os parentes uma linha acima na árvore genealógica (ou seja, pais e mães, avós já são um abuso)

E o @rafabarbosa, deu uma resposta típica dele(mas sincera):

(11:29:37) Rafael Barbosa //: significa que vc atingiu as bodas de PLATINA

(11:30:04) Rafael Barbosa //: na vdd, bodas de.. sei lá

(11:30:15) Rafael Barbosa //: ouro

(11:30:29) Rafael Barbosa //: tecnicamente, um relacionamento só deu certo se vcs passaram a vida toda juntos

(11:31:30) Guilherme: E se não passaram, deu errado?

(11:32:19) Rafael Barbosa //: ué, se não passaram, bem, acho que não, né? Mas sei lá. Nem eu tive um relacionamento assim pra saber o que dizer com certeza

Aí você me pergunta o que EU acho que é necessário para falar que um relacionamento “deu certo” e eu respondo “olha, meu amigo, eu confesso que isso ainda é complexo demais pra mim, e que eu não sei falar sobre algo o qual eu não vivi ou evitava viver, pode ser?”. No mais, fiquem com essa linda frase que eu achei por aí e resolvi adaptar para o texto: o objetivo de um relacionamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar. E chega desse assunto pois eu não quero ver esse texto indo para em emails com textos que se propõem a ser do Jabor.

Nos últimos dias o ato de respirar estava se tornando cada vez mais difícil. O ato de se preocupar e pensar em tudo aquilo que não mais era importante a cada instante deixava ele pior. Apesar do ótimo momento que vivia – não tão bem quanto ele gostaria, mas melhor do que ele poderia imaginar, ele dizia – naquele dia tudo parecia conspirar para dar errado.

A noite, uma dose dupla do seu whiskey favorito e outra de vodca. Tudo o que ele queria naquele dia.

Mais devaneios

Pois bem. Não faz muito tempo que eu deixei aqui um, texto falando em poucas palavras como a minha vida tinha se tornado uma coisa insuportável. Falei também que queria mudar aquilo tudo, e que a mudança talvez já estivesse acontecendo. Depois daquele texto, eu comecei a pensar em tudo aquilo que me aconteceu nesse ano, e tudo aquilo que estava para acontecer. Pensei na minha maneira de ser, de encarar o mundo, na forma como mantinha o meu namoro, o meu emprego, enfim, pensei na minha vida como um todo. Percebi que o trabalho que eu mais desejei em toda a minha vida, era o que mais me destruiu, consumiu forças, alegrias e, poderia eu dizer, a minha paz. Como eu disse me sentia como um equilibrista que caminha em uma corda, colocada no alto de um prédio equilibrando meia dúzia de pratos de porcelana, num dia de ventos fortes. Sabia que aquele mecanismo ainda ia “degringolar”. De fato, foi isso o que aconteceu. Mas ainda não é tempo de falar sobre isso. O fato é que, além de um emprego que tão mal me fazia, ou eu passava o resto do meu tempo perdendo aquilo que julgava ser importante, ou eu me perdia tentando perceber o que estava acontecendo comigo. Parei, pensei, refleti. Tentei ser sincero comigo ao menos uma vez na vida. Notei que já tinha passado da hora de mudar algumas coisas (várias, é bem verdade, mas eu não vou listar todas aqui. É desnecessário), de me arriscar mais, de sair da minha zona de conforto. E comecei a planejar. Uma mudança como a que estava por vir não aconteceria da noite para o dia, também não deveria ser feita “nas coxas”. O fato é que, ao longo de um mês e meio, eu consegui ver tudo o que tinha que ser feito, e decidi que não mais deixaria passar a oportunidade que estava na minha frente. Eu lutaria, eu sofreria, eu erraria, mas conseguiria mudar. Seguiria os conselhos que daria, faria coisas que sempre disse ser incapaz de fazer, mas que apenas não fazia por medo de tentar. Me arriscaria. Cada dia seria uma luta, uma batalha em busca da tal mudança que eu tanto precisava. O problema é que, quando eu mais precisava de ajuda, quando a tal mudança chegava ao seu momento mais importante, eu fiquei só. Quem eu escolhi para me ajudar, para apontar os meus erros quando fosse necessário, ou simplesmente me dar colo quando necessário fosse, me deixou só. Demorou, mas logo vi que dali em diante tudo dependeria única e exclusivamente de mim. E eu comecei a mudar. Rápido e intensamente comecei a fazer tudo àquilo que eu sempre queria, mas tinha medo. Comecei a me permitir. Em três semanas eu fiz coisas que, se me contassem que eu faria três meses atrás, eu não acreditaria. Lembrei que existem amigos, e que sem eles eu nada seria. Lembrei que eu posso ser feliz, e que eu posso me arriscar e não quebrar a cara. Lembrei que não preciso ser tão inseguro e que as coisas às vezes podem dar mais certo do que os meus pensamentos ruins podem imaginar. Eu sei que ainda vou cair, sei que ainda vou sofrer. Está sendo fácil? Lógico que não! Se eu fico bem o dia todo? De maneira alguma! O pior momento do meu dia é quando eu deito e vejo que estou só. Quando isso tudo vai passar, e eu terei a real noção de tudo isso que está acontecendo e a influência disso na minha vida? Sinceramente, eu não sei. Tento não me importar com isso, tento viver cada instante de uma só vez, tento tirar o máximo de todos esses sentimentos estranhos que tem tomado a minha mente nos últimos tempos.

Agora to aqui, sozinho em casa, após tomar uma das decisões mais fodidas do ano, escrevendo esse texto ruim, cheio de mimimi bububu nhenhenhe na esperança de que ele ajude em algo. Enfim, deixa eu sair da frente desse computador pois não vai ser na frente dele que as coisas irão mudar.