A Nova Era – semana #52: Deus está conosco, mas nos abandonou aqui

Vem que a semana foi curta de notícias. Teve atentado, números econômicos questionados e Moro sendo colocado no seu lugar.

Não se esquece de compartilhar depois de ler.


The following takes place between dec-24 and dec-30


Fogo no parquinho

Na madrugada de terça-feira (24), a sede da produtora do Porta dos Fundos foi alvo de um atentado terrorista. As câmeras pegaram três indivíduos lançando dois coquetéis molotov no imóvel.

Em vídeo, uns abobados se vincularam a um grupo integralista e assumiram a autoria do ataque. A polícia civil, porém, trata o caso como tentativa de homicídio e explosão. O motivo? O grupo citado no vídeo negou fazer parte da história.

No último ano, o blog (e outros veículos de mídia de maior destaque) foi responsável por montar uma triste coleção de ataques às liberdades no país. Aqueles que se dizem a favor deste valor, mas insistem que toda opinião tem a mesma validade, deveriam começar a rever os seus conceitos. Quando tratamos o incentivo de governantes ao obscurantismo e a barbárie como algo comum e válido, as chances de perdemos a nossa autonomia são altas.

A democracia é construída diariamente. Que em 2020 ninguém se esqueça disso.

Negging com a indústria nacional

Em 2020, Bolsonaro valorizará a indústria nacional. Na última semana, o presidente renovou a Cota de Tela, que reserva um número mínimo de salas de cinema para filmes nacionais. Mas não sem perder a oportunidade de fazer escárnio com os estudantes das belas artes.

Após o “up” para os produtores de Bacurau e outras grandes obras que só são bem apreciadas após 11 exibições, Jair foi às suas redes para desvalorizar a indústria nacional: disse que a cota será revista se o brasileirinho fizer bons filmes e que interessem a “população como um todo e não as minorias”.

2019 foi o ano que duas produções brasileiras ganharam prêmios inéditos no Festival de Cannes. A última semana também foi a que a esposa do presidente foi ao cinema ver Minha mãe é uma peça 3, filme que está faturando mais do que o último Star Wars.

Tratando apenas do que não é relevante

A nomeação de reitores, ao menos nos próximos meses, mudará. A MP 914, publicada na entradinha do Natal, criou uma nova regra de nomeação para os gestores de universidades públicas, institutos federais e o Colégio Pedro II. Agora:

  • o presidente poderá nomear qualquer uma das três pessoas que estiverem na lista tríplice indicada pela universidade (a tradição, até então, é de se nomear sempre o primeiro colocado);
  • a consulta para o nome do reitor será feita, preferencialmente, por meios eletrônicos;
  • o voto deixará de ser paritário nos locais em que assim se faz;
  • o reitor, que só poderá ser um professor que ocupa cargo efetivo na instituição, poderá escolher o vice-reitor e os diretores-gerais de cada campi.

O que não se está definido, porém, são os critérios para assegurar a integridade e confidencialidade dos processos de votação eletrônica — isso ficou para depois. Também não se decidiu se a MP terá apoio dos parlamentares para virar realidade (mas já encontra resistências no meio acadêmico). MPs tem prazo para serem votadas, o que pode muito bem reduzir o estrago causado por essa.

O que o governo não definiu, porém, é o projeto de lei para instituir o Future-se. Os parlamentares do Congresso estão até hoje sem saber exatamente como o Ministério da Educação pretende formalizar a iniciativa. Talvez o ministro esteja ocupado demais fazendo as próprias malas para pensar nisso.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Atenção concurseiro

Há algumas décadas uma nova Constituição foi escrita. Num buraco muito empoeirado dela, há uma parte que diz que funcionários públicos até tem estabilidade, mas isso depende: em caso de processo administrativo (regulamentação pendente), todo concurseiro pode ser convidado a se retirar.

Agora, no finalzinho de 2019, o governo lembrou-se desse detalhe e resolveu ir atrás dos meios necessários para demitir funcionário com baixo desempenho. A ideia é colocar, no pacote da reforma administrativa, a regulamentação necessária para avaliar e punir quem não trabalhar direito. Tudo isso tomando os cuidados para evitar acusações de perseguição política.

Há dois caminhos possíveis para isso ser feito. Um é apenas regulamentar o artigo da Constituição sobre demissão após processo administrativo (muito difícil de acontecer, mas possível). Outro é alterar a Carta e, assim, restringir as mudanças apenas para os novos servidores (quase impossível de acontecer).

2020 é ano de eleição municipal e muito candidato dependerá de apoio dos deputados para serem eleitos. 2020 será um ano animado.

Fica aí no seu lugar

O pacote anticrime finalmente entrou em vigor. Após todo o legítimo processo democrático de mudanças, o projeto apresentado pelo ministro da Justiça foi sancionado com 22 vetos. Saíram do texto original pontos como o excludente de licitude e ficaram itens novos, como o juiz de garantias.

Moro, acostumado a mandar e desmandar, resolveu agradecer a votação a favor com uma reclamação. Disse que não era o resultado dos sonhos e que o juiz de garantias não deveria estar lá. Deveria ter conversado mais com o seu chefe.

O que o ministro não mencionou na sua reclamação (que foi apenas uma no ciclo de butthurt dos lavajatistas de internet e entidades que também reclamaram da nova lei contra abuso de autoridade) é que a ação de Bolsonaro pode ajudar o próprio filho. Quem poderia imaginar que o presidente utilizaria o poder público, mais uma vez, para beneficiar a própria família e cercear o poder de ação do magistrado “linha dura” que cuida do caso do filho, não é mesmo!!!!!

Marco Aurélio Mello, porém, avisa que, se foi este o motivo de o presidente apoiar a mudança, ele pode dar com os burros n’água. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) lembrou que à Folha de S. Paulo que “a lei é editada para viger para o futuro e não retroativamente‘. Aliás, a maioria do Supremo (mas não todo mundo) é a favor da medida.

O fato é que não se sabe ao certo, até o momento, como o tal “juiz de instrução e também das garantias” será implementado. A mudança foi feita aos 45 do segundo tempo e já há gente por aí se movimentando contra ela no Senado. Não será um susto, portanto, se os senadores alegarem que a nova norma não está alinhada com a Lei de Responsabilidade Fiscal.


Eu escrevi e revisei (de jejum) este texto. Mas apesar de a língua ser viva, você pode apontar qualquer erro diretamente no meu Twitter.

A Nova Era – semana #51: o silêncio dos inocentes

Mais briga no PSL, Flavio B. recebendo visitas da Ju e ministro do Supremo pego fazendo algo muito parecido como lobby. Vem comigo que eu tenho todas as notícias para transformar a sua ceia num episódio de Toma Lá, Dá Cá.


The following takes place between dec-17 and dec-23


Aliança pelo trambique

A criação do novo partido de Jair Bolsonaro segue cheia dos trambiques (o que, até então, não é nenhuma surpresa). A cúpula da legenda (que no momento só existe na imaginação do presidente) optou por recolher, até abril, 500 mil assinaturas em todo o país. A decisão veio após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avisar que a ideia de fazer isso com certificados digitais talvez não dará certo.

Agora, caro leitor, se liga nesta história: não faz muito tempo que a Soluti saiu por aí distribuindo mais de 1 milhão de certificados digitais. Coisa que geraria um gasto de R$ 50 milhões caso eles fossem comprados individualmente.

O presidente da Soluti, Vinicius Vieira de Souza, é, também, fundador da ATID (Associação Brasileira de Tecnologia e Identificação Digital). A instituição faz parte do comitê gestor da ICP-Brasil, entidade que regula o setor de emissão, renovação e registro de certificados digitais.

Em uma reunião no começo de dezembro, uma proposta feita pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), tornou mais fácil a renovação de certificados digitais. O ITI é um órgão vinculado à Casa Civil da presidência da República. Entre os representantes da sociedade Civil há Luiz Carlos Zancanella. Conforme apurado por @jotacorreria, o seu suplente é o proprietário da Soluti.

Certamente tudo isso é uma simples coincidência e não sinal de uso da máquina pública para favorecer a ideia de Jair Bolsonaro ter um partido para chamar de seu em 2020.

Dicas para quem pretende disputar a eleição ano que vem

Largue a laicidade. Estudo feito por Francisco Costa, Angelo Marcantonio e Rudi Rocha conseguiu apontar por A mais B que o número de evangélicos cresce após crises econômicas. Pelo menos no Brasil, este país de grande estabilidade financeira.

Se a esquerda — especialmente ela — quer ganhar algum voto na periferia (e deixar de ter o mesmo perfil de eleitor que o Freixo tem no Rio de Janeiro) talvez seja uma boa ideia ser mais pragmática. Ou melhorar as suas estratégias de ação política. Pois, nos anos 2020, o Brasil será conquistado na base de muita teoria da prosperidade e pastor pedindo desconto de suas dívidas.

O militante de esquerda pode bater o pé e fingir miopia política até cansar. Mas quem está no topo das paradas dentro de favelas e bairros com pouco saneamento básico do país são os emissários do neopentecostalismo. O pobre quer luxo, fama e poder. Se possível, sem corrupção, mamadeira de piroca e ajuda do governo.

Importante, então, é parar de esperar por uma revolução cultural e começar a ser mais pragmático. Presumir que os pobres deveriam votar por redistribuição de renda é ignorar “os possíveis efeitos da religião sobre as preferências individuais.” É, também, tratar de modo paternalista quem só deseja uma vida minimamente confortável e sem tanta violência.

Meu lobbynho, minha vida

O MBL não é o único nome que tem aparecido no jornal sendo apontado como praticante de lobby. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre Moraes, foi grampeado em uma conversa que tem toda cara de atuação informal a favor de um coleguinha. Mais precisamente, um desembargador investigado.

A gravação é de 2015, quando Moraes ainda era secretário de Segurança em São Paulo. O agora ministro teria atuado como advogado do desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). O que não seria um grande problema se chefes de órgãos públicos não fossem proibidos de exercer advocacia.

Carvalho, na época, respondia a um processo por ter empregado (supostamente) uma funcionária (supostamente) fantasma em seu gabinete. Tudo parte de uma investigação sobre um (supostamente) muito elaborado esquema de nepotismo cruzado.

Apesar de ter passado livre pelo TJ-MG, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) seguiu com o processo. Moraes, sabendo que não poderia atuar legalmente de novo para o colega, deu (segundo a Folha de S. Paulo) dicas informais para que ele conseguisse escapar de uma condenação na justiça.

Deu certo. A Segunda Turma julgou o caso e arquivou a reclamação contra Carvalho.

Essa não é a única estripulia que Carvalho (supostamente) cometeu e foi parar no jornal. Em grampo obtido pela Folha de S. Paulo, o desembargador teria atuado para impedir que o deputado Luís Tibé fosse cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG).

Tibé era, em 2015, acusado de usar a máquina pública para fazer propaganda eleitoral irregular. Vendo então que as chances não estavam boas para o seu lado, o político teria pedido o então vice-presidente da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) para ajudar em seu processo de cassação. Algo super normal em qualquer país sério.

Você tem o direito de ficar caladinho

O CNJ mandou avisar que juízes não podem fazer aquilo que já não podiam fazer. Resolução aprovada pelo órgão impede que juízes comentem decisões de colegas e declarem apoio político nas redes sociais.

Entidades da área criticaram que o conselho está cerceando a liberdade dos juízes de fazerem aquilo que já não podiam fazer. Prometeram, inclusive, ir ao STF alegando que a norma, que afirma o que já está na lei, não está em concordância com a lei.

Vai entender.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Bota dinheiro na democracia sim

O fundo eleitoral segue em 2020. Agora, todos os candidatos a prefeito e vereador das próximas eleições terão acesso a R$ 2 bilhões para mover as suas campanhas. Se desejarem, claro.

O presidente, este portador de um grande espírito democrático, não gostou da aprovação do fundo. Seguindo (a risca) o manual do populista, perguntou a um grupelho de apoiadores se ele deveria sancionar a medida. Naturalmente, o gado respondeu que não deveria.

Ainda fazendo uso dos seus valores democráticos, Bolsonaro citou os valores que serão entregues ao PT e ao PSL no próximo pleito. Concluiu afirmando que “se quer fazer material de campanha caro, não vou ajudar esse cara, pronto“.

Na quinta-feira (19), o presidente retomou o assunto e afirmou que “em havendo brecha para vetar, eu vou fazer isso. Não vejo, com todo respeito, como justo recursos para fazer campanha“. Falou que a verba não ajuda jovem candidato e disse que isso não deve ser visto pelo Parlamento como um ataque.

Porém, quando se lembrou que o Planalto foi responsável pela proposta do fundo, desconversou. Afirmou que só fez a sua obrigação legal mas que agora poderá vetar o valor (que por muito pouco não seria maior). Falta falar, porém, como as eleições serão feitas sem desvios públicos, já que santinho e disparo de mensagem com conteúdo falso pelo Whatsapp seguem bem caros.

Bota dinheiro nas mãos do governo sim

Não foi só o orçamento das próximas eleições que virou objeto de discussão no Congresso na última semana. Os parlamentares também aprovaram o restante dos gastos que o governo poderá realizar em 2020.

Haverá aumento de despesas e investimentos em áreas como saúde, infraestrutura e desenvolvimento regional — se sobrar dinheiro para isso. R$ 6 bilhões foram liberados graças a aprovação da PEC Emergencial, que limita os gastos do governo de acordo com o tamanho da dívida pública. Ganhará mais dinheiro o ministério de Minas e Energia, enquanto o da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ficará com a menor parte.

Keeping up with #VazaJato I: engavetando essa mensagem hackeada

Lembra daquele monte de ação contra o procurador Deltan Dallagnol? Uma delas foi arquivada pelo corregedor do Conselho Nacional Ministério Público. As mensagens, que serviam para a acusação, foram consideradas ilegais e, portanto, inválidas para o processo.

A acusação se referia às mensagens em que Dallagnol conversava com Moro sobre a possibilidade de utilizar dinheiro público para promover propagandas pelas “10 medidas contra a corrupção”. O processo, se executado, seria totalmente ilegal.

Keeping up with #VazaJato II: indiciar não é culpabilizar (mas se quiser, pode)

A Polícia Federal finalmente concluiu as suas investigações sobre o caso dos Ararahackers e indiciará seis pessoas. Os crimes, segundo a PF, são:

  • integrar organização criminosa;
  • invadir dispositivo informático alheio;
  • interceptar comunicação telemática ilegal.

Não foram acusados de crimes os jornalistas do Intercept (afinal de contas, fazer o que jornalista faz não é crime neste país — ainda) e a ex-deputada Manuela d’Ávila (PC do B). O relatório não fala em mandantes ou cita qualquer tipo de motivação para as mensagens serem roubadas. Mas a PF já disse que pretende investigar esses pontos mais a fundo no futuro.

O que há de mais legal no relatório final, por outro lado, foi apontado pelo perfil @jairmearrependi. No meio de várias páginas, há uma conversa sobre o falecido perfil Pavão Misterioso ligando-o ao site de notícias relativamente verdadeiras Terça Livre. A troca de informações ocorreu entre o hacker e o humorista Gregório Duvivier. Coisa fina.

Timing é tudo

O Ministério Público resolveu ir atrás de toda e qualquer documentação que apontasse problemas na gestão financeira do gabinete do senador Flávio B. (quando ele ainda tinha compromissos com a Assembleia do Rio de Janeiro). Entre os alvos, estavam não só o atual senador, mas também Fabrício Queiroz, seu ex-assessor.

As investigações apontam a possibilidade de Queiroz ter comandado um esquema de rachadinha dentro do gabinete do então deputado Flávio. Apenas o policial militar aposentado teria recebido R$ 2 milhões em depósitos de outros 13 assessores do gabinete. Sobrou até para a ex-mulher do presidente e um ex-PM que até então a gente não sabia da existência, mas tem muito dinheiro em sua conta.

Os advogados do não filho do presidente chamaram a busca na loja de chocolates do senador de “invasão”. Já os advogados de Queiroz, que era ex-assessor de várias pessoas, informaram que o seu cliente tratou a operação com “tranquilidade’. Também disseram que, o homem que fugiu do Ministério Público a todo custo, estava surpreso, afinal, a operação era “absolutamente desnecessária”.

O blog quer acreditar, diante da declaração dos advogados de Queiroz, que o seu cliente passou o último ano organizando caixas de provas de seus prováveis criminhos para a PF. Afinal de contas, se o MP não quis pegar ninguém com as calças arriadas, o mínimo que poderia ser feito é uma ajudinha para os trabalhadores da instituição.

Contabilidade de alta qualidade

Segundo o Ministério Público, o senador Flávio afirmou que retirou, nos três primeiros anos de funcionamento da sua loja de chocolates, R$ 793,4 mil. O que não seria um problema se o fisco tivesse uma informação diferente: para o órgão, F.B. teria recebido apenas 435,6 mil no mesmo período. A contabilidade ruim também afetou o seu sócio, Alexandre Santini.

O advogado do senador, Frederick Wassef, praticamente chamou o judiciário de comunista e disse que estavam criminalizando o aumento de capital. Também afirmou que não há nada de errado em seu cliente ser amigo de gente que é acusada de ser participante de milícia. Ou empregar a sua ex-mulher, que (supostamente) fez repasse de R$ 203 mil a Queiroz.

Diga-me com quem andas…

O Ministério Público também colocou gente do Bope na lista de (supostos) envolvidos no (suposto) esquema das rachadinhas de Flavio B. e Fabrício Queiroz. O ex-capitão Adriano da Nóbrega, conhecido e foragido miliciano, teria emprestado as suas contas para o esquema. A conclusão ocorreu após a quebra do sigilo bancário de Nobrega, Flavio e Queiroz.

As suspeitas sobre o filho do presidente são tão grandes quanto as ligações de sua família com milicianos (e wannabe de miliciano). Será muito interessante ver, nos próximos três anos, o governo lidando com esse problema. Pois tenha certeza: isso ainda manchará as brancas paredes do planalto.

…e direi quem atacas

A defesa do senador F.B. foi ao Supremo para suspender a investigação contra os seus (supostos) crimes. Já o senador partiu para o ataque direto ao juiz Flávio Nicolau, que foi o responsável por autorizar a operação do MP.

O político disse que a filha do magistrado é uma funcionária fantasma do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Não dá para dizer que de funcionário fantasma a sua família não entende.

O paranoico presidente, por outro lado, acha que o culpado por tudo isso aí é o seu ministro da Justiça, Sergio Moro. A suspeita é tão grande que Bolsonaro quer tirar a Polícia Federal dos braços do ex-juiz e mandá-la para o seu amigo Alberto Fraga, ex-deputado da bancada da bala, que assumiria o futuro “ministério da Segurança”.

Ou quem não te ataca

Causou grande burburinho na internet e discussões sobre empatia (há de se ter empatia) as agressões sofridas pela youtuber di-direita Karol Eller. A jovem estava passeando com a sua namorada em um quiosque na orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando foi agredida e teve o rosto desfigurado. O caso logo foi tratado como homofobia pela delegada responsável pelo caso.

Mas, para a surpresa de todo mundo que fez discursos inflamados a favor da empatia, a delegada voltou atrás e afirmou que as agressões não foram motivadas por homofobia. Imagens do local e testemunhas apontaram que a briga entre os dois se deu por outros motivos. Karol dobrou a aposta e insistiu que o motivo foi homofobia — apesar das imagens divulgadas pela imprensa.

O desfecho desta história tragicômica ficará, infelizmente, para a semana que vem.

Brasil acima de tudo, meu filho debaixo do caminhão

Vendo o seu filho Flavinho no jornal, o presidente Jair Bolsonaro resolveu comentar o assunto. Na manhã de quinta-feira (19) disse o presidente que “O Brasil é muito maior do que pequenos problemas. Eu falo por mim, os problemas meus podem perguntar que eu respondo. Os outros, não tenho nada a ver com isso.

Quando perguntaram sobre os seus problemas, na sexta-feira (20) o presidente mudou de tom. Insinuou que um jornalista era homossexual. Ao ser questionado se teria como comprovar o empréstimo feito a Queiroz, respondeu a um repórter que ele deveria perguntar para a sua mãe o comprovante que ela deu para o seu pai, “tá certo?”.

Tudo isso para uma plateia de apoiadores que adoraram ver o espetáculo de decoro e postura do chefe de governo brasileiro. Por último, e não menos importante, disse que “ninguém lava dinheiro em franquia”.

Lava em qual lugar então, presidente? Apartamento em Copacabana?

No dia seguinte, em um café com jornalistas, Bolsonaro disse que “se eu não tiver a cabeça no lugar, eu alopro”. Este tipo de temperamento realmente me parece uma boa qualificação para quem quer ser presidente.

Jair também reclamou dos vazamentos do Ministério Público. Clamou a necessidade de controle do MP, chamou o órgão de um dos Poderes da República (não é o caso) e reclamou de vazamentos. Interessante ver que J.B. mudou a sua visão de mundo sobre alguns temas.

Inimigas e rivais

Gustavo Bebianno está nervoso. Não sem motivos: o presidente sugeriu, em entrevista à revista Veja desta semana, que ele participou do atentado praticado por Adélio Bispo em 2018. A resposta, segundo o ex-ministro da Secretaria-geral da Presidência, será por vias judiciais e criminais.

Para Bebianno, “Jair está nitidamente desequilibrado. Precisa urgentemente de tratamento psiquiátrico.” Faz sentido: em poucos dias o presidente afirmou que existia a possibilidade de ter um câncer de pele, disse que a imprensa mentiu sobre o assunto e que a biópsia feita para avaliar se ele teria mesmo a doença deu resultado negativo. Complicado.


Eu escrevi e revisei (distraído) este texto. Mas apesar de a língua ser viva, você pode apontar qualquer erro diretamente no meu Twitter.

A Nova Era – semana #50: os soldadinhos de chumbo do presidente

Pacote anti-crime aprovado sem as loucuras do Moro, ministros não sabendo da liturgia do próprio cargo e o país passando vergonha lá fora (outra vez). Não se esquece de mandar o link para o seu tio bolsominion. 


The following takes place between dec. 10 and dec. 17 


Desidratação do bem 

Na terça-feira (10), o pacote anti-crime foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Votado no dia seguinte em plenário, o texto foi para sansão presidencial. 

Boa parte das maluquices do ex-juiz Sergio Moro foram tiradas do texto por deputados e senadores com alguma ideia decente na cabeça. Saíram itens como a licença para matar (ou excludente de licitude, para os mais íntimos) e o acordo de “plea bargain”. As mudanças foram possíveis graças a articulações de parlamentares como Marcelo Freixo, que se destaca entre às esquerdas como uma das poucas pessoas daquele lado que é vista lutando pela segurança pública. 

E que também não perde tempo posando bonito para a foto em tempos de grande autoritarismo. 

Em uma entrevista dada para a Folha de S. Paulo, o ministro jurou que, se tivesse sido aprovada, a licença para matar não seria aplicável a casos como o da menina Ágatha. Afinal, o Brasil é um país em que nenhum PM mente sobre as suas ações quando dá ruim para tentar sair impune. Ou que mata até mesmo a memória de catador de lixo que tenta salvar gente inocente

Moro espera que o presidente vete os pontos que ele não gosta, como o do juiz de garantias (basicamente alguém que poderá impedir mais pessoas de apresentarem um comportamento pouco ético). O que é uma ótima estratégia, pois ajuda Bolsonaro a manter o seu discurso de que “o sistema é foda” e impede o presidente fazer o que deseja (mas não necessariamente é a vontade da maioria da população). 

Agora a mira dos lavajatistas de plantão é a prisão após a condenação em segunda instância, que deve ser votada só ano que vem. O Nexo explicou direitinho esse imbróglio

⬆️ gente que não deveria ter entrado 

O jornalista Sérgio Camargo foi removido da presidência da Fundação Cultural Palmares após determinação de um juiz federal do Ceará. O governo federal publicou a sua saída da instituição no Diário Oficial da União no final da quarta-feira (11). A instituição, que promove a cultura afro-brasileira e a luta contra o racismo deixou, até segunda ordem, de ter um presidente que é contra os movimentos que promovem a cultura afro-brasileira e a luta contra o racismo. 

Quem também perdeu direito a ocupar uma sala de direção no serviço público foi Luciana Rocha Feres. Ela ficou na presidência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por tão pouco tempo que faltou hora vaga para o estagiário procurar os podres da pobre coitada. Fica pra próxima. 

É básico 

A Câmara finalmente aprovou o novo marco regulatório do saneamento básico brasileiro. O texto, que agora abre espaço para a disputa pelo fornecimento de esgoto por empresas privadas – mas não obriga ninguém a contratá-las :( – é um grande avanço para o país. Pelo menos na opinião deste modesto blog. 

Os números de saneamento do nosso país são execráveis. Há lugar em que é mais fácil encontrar esgoto a céu aberto do que árvore na rua. As mudanças no modelo atual, portanto, são mais que bem vindas. Quem sabe agora a gente não consegue fazer aquilo que é básico. 

Em notas relacionadas, a oposição das esquerdas ao projeto foi um show de horrores. Os partidos que mais se prejudicam e criticam fake news em 2018 não perderam a oportunidade de utilizarem argumentos que não correspondiam ao texto em votação

Não adianta fazer troça do tio do Whatsapp se você gasta microfone da Câmara afirmando que um projeto obriga alguém a fazer algo que não virará obrigação após a publicação no Diário Oficial da União. 

Seria bom, por sinal, que as esquerdas explicassem de onde sairia o dinheiro para a universalização no caso de manutenção do modelo atual. Sempre considerando, é calro, que ele mal garante acesso a um bom sistema de esgoto para metade da população. Melhor do que sair por aí mentindo na cara dura. 

Ícaro tombou 

A juíza Selma, senadora pelo Mato Grosso que é apelidada como “Moro de saias”, caiu por cometer criminhos. O Tribunal Superior Eleitoral anunciou que o seu mandato está cassado por abuso de poder econômico e uso de caixa dois durante a sua campanha. 

Apesar de haver espaço para recursos, a senadora deve se afastar imediatamente do cargo. Os suplentes também se deram mal, já que não terão direito ao mandato. Ficará com a vaga o mais votado nas eleições que serão realizadas em breve no Mato Grosso. 

O advogado da juíza jura que ela está sendo condenada por ser uma ótima magistrada. O TSE, por outro lado, não tem dúvidas de que ela e os seus suplentes cometeram criminhos. 

A juíza deveria acreditar mais no poder do qual ela fez parte por tantos anos. Também cai bem não saí por aí dizendo que combate a corrupção e depois, quando é condenada por práticas ilegais, utilizar o mesmo discurso de sempre de quem é pego com as calças arriadas. Um pouco de originalidade não custa nada. 

A volta dos que não foram

A Lava Jato não morreu. A operação deflagrou nova etapa, dessa vez tendo como alvo o filho do ex-presidente Lula, Fábio Luis. Segundo os operadores do direito, Fábio recebeu dinheiro da Oi e utilizou a verba na compra do sítio em Atibaia mais famoso do país. Como agradecimento, o governo federal teria repassado benefícios financeiros à operadora. 

Há, porém, um pequeno problema nessa história. A princípio, por ser uma investigação que já aconteceu em São Paulo e não deu em nada. Depois, por ser algo que não se refere diretamente a delitos que passam pela Petrobras, que é o que trata a Vara Federal de Curitiba. Detalhes. 

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, o ex-governador Sérgio Cabral assinou um acordo de delação premiada para a alegria de editores de jornais e revistas de todo o país. Junto com o acordo, vem a promessa de devolver R$ 380 milhões em propina (que ele já devolveu) e denunciar até mesmo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal de Contas da União (TCU) e procuradores do MP-RJ. 

O acordo recebeu parecer negativo da Procuradoria Geral da República que não perdeu a chance de lembrar que o próprio Ministério Público Federal do Rio já tinha negado ao político uma chance de delatar quem ele quisesse. O que é justificável, tendo em vista que a essa altura do campeonato Sergio Cabral só não foi condenado pelas balinhas que ele deve ter roubado na vendinha da escola em que cursou o ensino médio. 

Em notas definitivamente relacionadas, 81% dos brasileiros acham, segundo o Data Folha, que a operação deve continuar. O dado mostra que, após mais de 60 etapas, os procuradores conseguiram manipular a mídia e o imaginário social de tal maneira que eles se tornaram, de fato, o sinônimo de combate a problemas na gestão da coisa pública. 

O trabalho, porém, não conseguiu fazer com que o agora ministro Sergio Moro passasse imagem semelhante para o governo federal. Metade dos entrevistados acham que o governo é péssimo ou ruim no combate à corrupção

Pelo visto, o brasileirinho ficará satisfeito apenas quando a operação virar uma verdadeira Inquisição Espanhola, sempre ponta para surgir das sombras para atacar os mais desavisados com suspeitas e acusações de todo tipo. 

Pequenas notas do Quinto dos Infernos 

Vá com Deus 

O Estado de S. Paulo apurou que no prédio do ministério da Educação as caixas de mudanças estão cheias. O ministro Weintraub se prepara para não voltar ao cargo que hoje, infelizmente ocupa, após o fim de suas férias. Uma boa parte dos assessores já estão com o status de desempregado no LinkedIn, faltando apenas a vez dele ser confirmada. 

O ministro deve sair, principalmente, por pressões da equipe econômica. Para eles, Weintraub (que é cria de Guedes e não do Olavo de Carvalho) causa problemas demais e atrapalha o governo enquanto faz cosplay de Gene Kelly no Twitter. 

Weintraub entrou com força e vontade na luta para ser o pior ministro da Educação da nossa história recente e conseguiu o troféu com mérito. Atacou todo o sistema de ensino público e privado, de professores a tias da merenda. Mentiu, repetiu a mentira e quando acusado de mentir, fez-se de sonso e continuou na sua luta pela divulgação de novas mentiras. 

Nos seus meses à frente do cargo, Weintraub não conseguiu (ou sequer tentou) articular com as organizações do terceiro setor que trabalham com a luta por uma educação melhor. Tão menos se articulou com os profissionais do próprio governo para colocar em prática alguma ideia que fosse além do Future-se. O Fundeb, aliás, corre o mesmo risco que o Enem teve de não sair nesse ano. 

Na sua última passagem pela Comissão de Educação da Câmara, o discurso foi tão raso que até mesmo deputados que normalmente fariam vista grossa aos seus descalabros não deixaram de criticá-lo. Infelizmente, porém, ainda falta algum tutano para quem critica o ministro. Mas a torcida é forte para que Weintraub pegue logo o beco e vá falar absurdos em outros lugares do país. 

O seu saldo final será digno de vergonha. O ministro passou mais tempo alimentando militante bolsonarista na internet do que garantir que a educação melhorasse. Liberou dinheiro para as instituições vinculadas ao MEC apenas quando era tarde demais para qualquer centavo ser gasto e esqueceu de falar como será implementado um novo programa de alfabetização. 

Assim como o seu antecessor, não fará falta. 

Vem de zap 

Os caminhoneiros ainda tentam fazer a gente sentir saudades de quando o PIB nacional era movido por trens. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, já teria impedido sete tentativas de greves da categoria. E só negocia com quem tem feito ameaça de greve

Aliás, uma nova mobilização a favor de greve fracassou no começo da semana por falta de participantes. Os líderes das greves durante o governo Temer estavam ocupados limpando a bota do governo com a glote. Já os que tinham outras preocupações se irritaram demais com os discursos da CUT favoráveis ao movimento

O Brasil de hoje seria muito menos horrível se, no Brasil de ontem, JK não tivesse sido um desenvolvimentista carrocrata. 

Na volta a gente compra 

Não faz muito tempo que o governo começou a pensar em mudar o Bolsa Família e dar um caráter mais social à gestão atual. Começou com a promessa de um 13º que só foi garantido para 2019 após a Folha de S. Paulo apontar que o benefício corria o risco de não virar realidade. Já no começo do mês, os auxiliares do presidente resolveram criar um Bolsa Família para chamar de seu. 

Era um projeto simples. Aumentar a faixa etária de beneficiários para quem tivesse até 21 anos de idade. Se a casa contasse com um bebê de até 3 anos, o benefício aumentaria. Só faltava descobrir como a conta seria paga. 

Ao que tudo indica, ninguém descobriu o mapa da mina. Alegando falta de recursos (que até existem, mas foram consumidos pelas propostas de parlamentares que não fazem o tal do “toma-lá, dá-cá”), o Planalto resolveu guardar o projeto em uma gaveta. Ainda bem que ninguém tem que defender o governo em eleição municipal, não é mesmo? 

Não fazendo mais do que a obrigação 

Após mais uma semana com informações de que a PM fez o que faz de melhor (autoritarismo pra cima de pobre indefeso), João Dória resolveu brincar de político de centro liberal outra vez. O tucano afastou os 38 PMs que participavam da operação em Paraisópolis que não teve coordenador e só serviu para trazer mais desgraça para a história da favela. 

A resposta não só veio tarde demais, como também mostra de novo, novamente, mais uma vez, que de centrista e liberal o governador tucano não tem nada. Dória só agiu a favor dos mortos de Paraisópolis quando uma avalanche de vídeos, relatórios do Instituto Médico Legal e testemunhos apontaram que a PM paulista fez o que ela se tornou famosa por fazer, que é truculência com preto, pobre e favelado de dia (e professores públicos após o sol se por). 

Não é como se o paulistano estivesse precisando de motivos para apoiar Dória. Moradores de São Paulo desconhecem combinações de números de votação que não comecem com 4 e 5 desde o começo da década de 1990. Agora, se o desejo é se mostrar diferente de Bolsonaro, ele seguirá falhando miseravelmente enquanto aperta novos pregos no caixão do Partido da Social Democracia Brasileira. 

Não fazendo sequer a obrigação 

A 25ª edição da COP 25, que ocorreu em Madri, acabou no último domingo (15) com gostinho amargo. A conferência do clima era um dos poucos lugares no ambiente internacional em que o Brasil podia falar grosso com todo mundo. Afinal, éramos um exemplo de país que, apesar dos pesares, conseguia manter boas políticas de preservação do clima e projetos com foco sustentável. 

Não mais

O ministro da área, Ricardo Salles, foi para a COP sem propostas significativas, querendo pedir dinheiro onde não havia espaço para mendigar recursos (que o país jogou fora no passado recente) e um desejo imbatível de lutar contra tudo e contra todos. Quando não estava sendo cobrado pelos péssimos resultados que apresentou nos últimos meses, tentava passar a perna nos outros países durante as negociações da regulamentação do mercado de créditos de carbono

O governo que achou ruim que o documento final da conferência apontasse o óbvio (que oceanos e o uso da terra influenciam no clima). Tratou toda a COP-25 como um grande “jogo comercial”. Não à toa, teve como maior vitória poder levar dois prêmios “Fóssil do dia” para casa. 

Os absurdos que Bolsonaro falou nesta semana 

Em um discurso para prefeitos, o presidente afirmou, na quinta-feira (12) que colocará todos os ministros e integrantes de equipes ministeriais envolvidos em corrupção em um “pau de arara”

Sem brincadeira. O presidente mandou um “se aparecer [corrupção], boto no pau de arara o ministro” como quem pede uma garrafa d’água. 

O presidente também disse que Paulo Freire, declarado patrono da educação nacional em 2012, era um energúmeno. Também falou que a programação da TV escola deseduca e que investir na empresa, que tem um grande papel na entrega de material de qualidade para professores de todo o país, é jogar dinheiro no lixo. Parece até que ele se referia à ideia de passar revisionismo histórico conservador na telinha. 

O ataque, que certamente não está relacionado com as críticas contra a tentativa do governo de passar Olavo de Carvalho no canal, deu certo. O ministro da Educação encerrou o contrato com a associação responsável pela gestão da TV e mandou todo mundo sair do seu prédio. 

O tripé da moderação tem uma perna só 

Tornou-se comum dizer há uns meses que o governo tinha três pés de sustentação. O olavismo cultural, o liberalismo de Paulo Guedes e a moralidade de Sergio Moro. Hoje, passados quase 12 meses completos de muita aventura e arrombo autoritário, é difícil ver que algum analista estava certo ao afirmar que Guedes e o ex-juiz são tão diferentes assim do maníaco por ditaduras. 

Semana sim, semana também, há um ministro disputando o posto de melhor lambida de bota na imprensa. O liberal ministro da economia não perde a chance de avisar que, se for às ruas, o povo corre o risco de ouvir gritos por um novo AI-5. Trata a democracia como um pequeno detalhe do receituário do liberalismo clássico e insiste na (burra) ideia de que as liberdades podem caminhar em separado se a economia estiver mais aberta aos seus interesses. 

Moro, vendo que as chances de ir para o STF são nulas, resolveu mostrar a sua face autoritária para galgar o apoio do chefinho e se tornar candidato a vice em 2022. Tem se tornada notória, nas últimas semanas, a escalda do discurso autoritário do juiz. 

Travestido de um belo combate à corrupção (de quem não faz parte do governo e de sua base), o ministro atribui ao STF (!) a má avaliação do seu trabalho enquanto pessoa que trabalha contra criminhos. Ignora, porém, que a maior parte dos brasileiros não se importam de ver Lula livre. Até acham justo

boquinha fina com maior síndrome de doutor do país também não perde a chance de posar para a internet sendo subserviente ao governo. Ataca a imprensa quando ela não faz vista grossa para as suas ações e ignora completamente a liturgia do seu cargo. Trata as salas do ministério que ocupa como se fosse a sua casa. Mostra que, assim como Guedes, de democrático e moderado não tem nada. 

Moro deveria estudar melhor a Constituição que jurou um dia defender, frequentar umas aulas de teoria democrática na UNB e, depois, sair da vida pública e pescar no pantanal. Assim como o ministro da Educação, sua ausência não será sentida por ninguém que valoriza a democracia liberal. 


*Você gosta de newsletter, internauta? Me avisa no Twitter. É para o meu TCC

Eu escrevi este texto e revisei ele sozinho e com fome. Apesar de a língua ser viva, você pode apontar qualquer erro diretamente no meu Twitter.