Por entre copos de bebida, sorrisos amarelos e sonhos lúcidos [Parte 2]

22:20

Ainda deitado na cama. Bebe mais um gole daquilo. Os fones de ouvido fazem ecoar por aquela mente perturbada alguma música. Desejo louco de sair, de vestir determinada roupa e se perder por entre copos cheios de álcool, diante de sorrisos amarelos e sonhos lúcidos daqueles pseudo bares cults da Savassi. Sair sem hora para voltar, sem rumo, sem nome, amigos e endereço. Então seus olhos se abrem e ele se lembra que não tem dinheiro para o taxi, que não teria capacidade de conversar com desconhecidos por muito tempo( e se teria, isso seria irrelevante), e que a roupa preterida no seu guarda roupa não sem encontra.

Suas mãos ficam tremulas, a respiração rápida. O ar que sai pelas narinas se aquece. Os olhos doem de tanto dormir tentando esquecer o mundo. Com raiva o fone de ouvido é lançado contra a parede. “Dane-se, ele está na garantia mesmo.” Suas pernas  pedem movimentos, sua mente implode em pensamentos, rostos, olhares, frases. A lembrança de palavras que jamais existiram, quando ele dela mais precisava e ela decidiu-se calar perante o sofrimento dele.

A tristeza e a agonia perante a impotência em mudar a sua situação o fazem querer chorar, mas já não lhe restam forças para chorar. Se levanta e vai até a sala cambaleando. Sua única companhia é o copo de vodca. Ao passar pela cozinha, o completa com vinho. Sabe que a mistura não é boa. Mas quem se importa?

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