A Nova Era – semana #112: MILL (1859)

Uma semana digna de 1979.


The following takes place between feb-16 and feb-22


Valeu a pena?

Lembra quando o pessoal falava que o problema era o Rodrigo Maia e que um presidente da Câmara alinhado com o Planalto ajudaria o Executivo a destravar as suas pautas? O blog lembra e o blog traz a verdade: não será o caso.

O Centrão já mandou o aviso de que as pautas que o Bolsonaro mais gosta não terão um apoio automático no Congresso Nacional. Essa coisa de aliviar a barra de PM que não conhece o Estado de Direito, ampliar o acesso a armas para projetos de milicianos e deixar a Damares feliz ficará para outro dia.

Tudo pode mudar com o apoio de umas indicações para ministérios, meia dúzia de diretorias de estatais e um pouco mais de verbas para emendas? Sim. Mas por hora, é melhor o presidente repensar as prioridades da sua agenda de 37 prioridades para o país.

Não dá mais para culpar o Maia.

Intervenção militar liberal constitucional

Após tentar afagar a sua base louca por um tanque de guerra na garagem, o presidente Jair Bolsonaro foi prestar ouvidos aos caminhoneiros de todo o país. O presidente partiu para cima da Petrobras (de novo), falou que os seus produtos finais são para as pessoas e que o preço deveria cair. Como? Bem, na base da dedada no cu e da gritaria, ou algo assim.

O presidente indicou um general para substituir o atual presidente e, como consequência, tentar mudar a política de preços da petroleira. E após intervir na empresa, o seu indicado disse que aquilo não era uma intervenção. É golpe então? Pois todo mundo sabe que militar adora um golpe.

A intervenção liberal para promover redução de liberalismo também deve chegar na Eletrobras. O esquema será o mesmo: dedada.

Choque de realidade

As ações na Petrobras e o aviso de que a diretoria da Eletrobras deveria renovar o estoque de KY fez a Faria Lima perceber que alguém que gastou quase três décadas da sua vida não sendo liberal não era liberal. Os conselheiros, por outro lado, seguem em um estado de negação da realidade e acreditando que a política de preços está imune a mudanças.

No meio desse rolo todo, o blog fica se perguntando como é que pode um monte de gente conseguir gerenciar bilhões de reais e não reservar R$ 1.500,00 para contratar um cientista político para fazer análise política. Só quem fez de conta que as páginas de jornais citando o presidente nos últimos 30 anos não existiam foi capaz de acreditar que ele seria “liberal por inteiro”.

Ler planilha o dia todo acaba com a habilidade de ler notícia do caderno de política? O blog aceita a resposta de algum Faria Limer com carinho e amor.

Querida você está: abatida

A dedada do Bolsonaro custou caro. Para ser mais preciso, a interferência do presidente fez a estatal perder R$ 100 bilhões em valor de mercado. Isso mesmo: cem bilhões de reais.

Sabe o que dá para fazer com R$ 100 bilhões? Comprar uma empresa que faz vacina. Ou muita vacina, tanto faz.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Merece pena? Não merece pena

O deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) resolveu brincar de golpismo e você não sabe o que aconteceu: ele se fodeu.

Após falar todo tipo de absurdo em vídeo, o deputado foi preso em flagrante pela Polícia Federal. Utilizando uma grande artimanha jurídica, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes enquadrou o ex-PM na Lei de Segurança Nacional (aquela mesmo).

O gente fina é investigado pelo STF nos inquéritos dos atos golpistas e das fake news. A sua prisão se deu no âmbito do último, mas poderia ser do primeiro também, era só o STF desejar.

Diante da prisão, Silveira seguiu o manual do vigarista de direita e reafirmou tudo o que disse em um novo vídeo (preso pode gravar vídeo enquanto é preso?). Disse que o ministro estava entrando em uma queda de braço que ele não poderia vencer (o que é mentira, já que não era uma questão de quem malha melhor o tríceps). Também lembrou, com orgulho (!), que já foi preso mais de 90 vezes na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

Eu-eu-eu, otário se fodeu

Naturalmente a defesa formal (e informal) de Silveira partiu para o discurso de ataque à liberdade de expressão como se a gente vivesse em um mundo de conceitos abstratos e uma má leitura de Stuart Mill. Não vivemos.

Daniel estava muito confiante de que seria salvo por alguém e que a sua postura era adequada. Ao chegar no IML, continuou desrespeitando a lei e mostrando que é tigrão com mulher e tchuchuca com bombadão.

O PM licenciado foi transferido para um batalhão da PM e aproveitou para continuar falando frase de golpista. E como bom cidadão de bem que é, foi pego pela PF com dois celulares em sua cela. Ninguém sabe como eles chegaram lá, mas Alexandre Moraes já pediu uma perícia nos dois aparelhos.

O gigante acordou

Enquanto a Suprema Corte se movia para referendar por ampla maioria a decisão de Moraes, o Executivo ficou calado. Jair Bolsonaro fez o que lhe parecia mais adequado e tratou o problema como se não fosse relacionado a ele (até que é, mas não dá para fazer cara de surpresa ao ver o presidente brincando de “filho feio não tem pai” quando a corda aperta).

Ao mesmo tempo, a Procuradoria-Geral da República tomou um energético, saiu do estado de constante inércia e denunciou Silveira com a acusação de incitação do emprego de violência e grave ameaça para tentar impedir o livre exercício dos Poderes Legislativo e Judiciário (e instigar a animosidade entre as Forças Armadas e o Supremo).

Meme do Centrão não corporativo

O preso também contava com a anuência e o corporativismo da Câmara. No lugar, teve senso de autopreservação e defesa da democracia por parte dos deputados (ou pelo menos a parte deles que realmente se importa em manter a coerência).

Arthur Lira (PP-AL) foi avisado previamente por Moraes sobre a prisão, pouco fez para conter a Polícia Federal na execução do seu trabalho e ainda deixou claro que na Câmara o pássaro pode cantar diferente quando for conveniente.

Levemente abandonado pelo partido e apoiado apenas por algumas pessoas, a maioria dos deputados votou a favor da manutenção da prisão de Silveira. O relatório foi assinado por um tucano pouco afeito a essa coisa de atacar as instituições e foi impresso após a audiência de custódia referendar os atos do STF. Ficou difícil sustentar o discurso da inconstitucionalidade neste caso.

É o que tem pra hoje

O blog gosta da Lei de Segurança Nacional? Não, o blog prefere ver ela no valão das leis do país. O blog acha que esse era o melhor caminho para punir gente com discurso abertamente golpista? Também não.

Mas vivemos em tempos complicados demais, com a bolsonarização das formas públicas, a milicialização da vida privada, as forças armadas deixando o golpismo escapar pelo rabo da saia, policiais praticando motim sem o presidente repudiar e um presidente pouco democrático. Até apresentador pedindo por golpe em programa de TV a gente já teve nos últimos dias.

Isso não é coisa de uma democracia saudável. Aliás, fôssemos uma democracia saudável é pouco provável que o STF teria que entrar na frente dos outros poderes e fazer o que a Câmara deveria ter feito. Ou, talvez, ele sequer teria sido eleito.

Os tempos não são fáceis e se o custo de ver gente golpista pagando pelo seu golpismo é o STF fazendo malabarismo constitucional, bem, que a gente pague esse boleto com um Pix feito diretamente da nossa NuConta. A vida nem sempre nos entrega o que queremos.


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A Nova Era – semana #111: slow news week

A volta da #VazaJato, a tutela da nossa democracia, os impasses sobre o auxílio emergencial e muito mais no resumo da semana #111 do governo Bolsonaro.


The following takes place between feb-09 and feb-15


A #VazaJato não morreu, olê, olê, olá

O Intercept publicou mais novidades sobre as mensagens trocadas entre os procuradores de Curitiba (PR) e o ex-juíz Sergio Moro. A matéria da semana teve como tema o grande, poderoso, golpista, elitista e lavajatista Grupo Globo.

O texto mostra como Deltan Dallagnol trabalhou para obter o apoio da empresa na sua luta pela aprovação das 10 medidas de combate à corrupção que eram defendidas pelo Ministério Público. A história é marcada por jantar romântico com João Roberto Marinho e o favorecimento da Globo nos vazamentos da Lava Jato. Coisa linda.

Brilhando tanto quanto grafo de prata mal cuidado

A vida da Lava Jato e quem a defenda já foi mais reluzente. Na última semana, além da #VazaJato, a segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que os diálogos dos procuradores com Moro deveriam ser compartilhados com a defesa do ex-presidente Lula. O acesso pode ajudar os advogados do ex-presidente a entender e a provar que os procuradores não caminharam sob as regras do devido processo legal.

Moro, naturalmente, nega que seja o caso. A gente pode confiar na palavra do ex-ministro, claro. O Brasil não é uma república das bananas em que juizes e procuradores podem agir em conluio e na margem da lei por acreditarem que terão o apoio do resto do judiciário, da imprensa e da opinião pública.

Se o país for isso tudo aí, então é melhor a galera da Lava Jato ter medo (e mais senso de realidade). Caso as mensagens sejam aceitas como provas lícitas, elas podem servir para anular a condenação no caso do sítio de Atibaia e considerar Moro suspeito no processo do tríplex do Guarujá. E se depender da ajuda do guardião do Estado de direito Renan Calheiros, podem até colocar os Ararahackers fora da cadeia.

Não empolga

O Banco Central ganhou autonomia garantida por lei. O aceno ao mercado foi uma das primeiras medidas relevantes aprovadas pelo novo presidente da Câmara dos Deputados, o senhor Arthur Lira (PP-AL) (o orçamento da União para 2021? Fica pra depois). Naturalmente, teve voto contrário de quem era a favor dessa ideia no passado e que agora veio em uma roupagem muito inadequada para o século XXI (o que combina muito com as ideias de Paulo Guedes sobre o mundo).

Mas isso é da política. O que não deveria ser da política é acreditarem que isso é um sinal de que Paulo Guedes finalmente terá a liberdade para fazer o que quiser em Brasília. Seria preciso um nível de pensamento virtuoso muito, muito, muito grande para acreditar que a aprovação de algo que está em debate desde o fim da ditadura civil-militar é um sinal de que o governo será, agora, liberal.

Não será.

Normal

O Ministério da Saúde mobilizou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a produção de 4 milhões de comprimidos do medicamento ineficaz no tratamento da Covid-19 cloroquina. O projeto foi financiado com o apoio de verbas que deveriam ser utilizadas no combate à pandemia. Cada comprimido deveria ser destinado a pacientes com o coronavírus.

A Saúde também gastou dinheiro na produção de outro medicamente ineficiente contra a Covid-19, o oseltamivir (também conhecido como Tamiflu). Os documentos obtidos pela Folha de S.Paulo foram enviados ao Ministério Público Federal (MPF) de Brasília.

Pagando caro pela própria ineficiência

Enquanto a Faria Lima fica empolgada com moinhos de vento, boa parte da população corre o risco de passar fome em mais um ano de pandemia. Os parlamentares sabem disso e já estão se movendo para a retomada do auxílio emergencial.

Ideias péssimas de Paulo Guedes a parte, um novo auxílio emergencial dependerá de um cuidadoso arranjo político, econômico e institucional para garantir que a medida seja aprovada sem quebrar o Estado um pouco mais. Gente pobre e favelada tem fome e na ausência de uma taxa de vacinação semelhante ao “v” que Guedes prometeu para o nível de crescimento do nosso PIB, o jeito vai ser distribuir auxílio de montão (na semana ou no mês que vem).

O governo já deveria ter percebido que as suas escolhas têm consequências. Não priorizar a vacina, por exemplo, eleva a prioridade dada ao auxílio emergencial. Todo mundo ali é adulto e alfabetizado o bastante para saber disso.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Normal isso

A nossa democracia, pelo visto, continua a ter a inconveniente tutela das forças armadas. O Alto Comando do Exército, por exemplo, participou diretamente da elaboração daquela mensagem semi-golpista publicada pelo general Eduardo Villas Bôas em 2018 durante o julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula pelo STF. A revelação foi feita pelo próprio general e está no livro General Villas Bôas: Conversa com o Comandante (FGV).

A manifestação tinha como motivação a pressão por golpe militar (ou intervenção) por parte de “empresários e pessoas da sociedade civil”. No tweet, o general afirmou que o Exército julgava “compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade”.

Como a gente pode ver, as instituições nacionais seguem funcionando muito bem. O problema é para quem.

A Pauloguedização do governo

O ministro da Saúde afirmou no Senado que pretende vacinar toda a população até o fim do ano. Metade da população será vacinada até o meio do ano e a outra metade, no segundo semestre. Menos de 3% da população já foi vacinada, entre vacinas que são aplicadas de mentirinha e desvios na fila de vacinação.

A fala foi tão tosca que os senadores que a ouviram não conseguiram levar o general a sério. Parece que temos um novo membro do governo atacado pela síndrome de Pauloguedismo em Brasília, essa condição de saúde complicada em que pessoas saem por aí prometendo muito mais do que podem entregar. No caso de Guedes, pelo menos, ele tem um diploma compatível com o seu currículo.

Smiles at milícia language

O presidente resolveu flexibilizar ainda mais o acesso a armas e munições no Brasil. Agora, todo mundo poderá ter um arsenal de quadrilha dentro do seu cômodo preferido. Afinal de contas, é assim que a gente resolve o problema de violência do país: permitindo que crianças vítimas de abuso sexual atirem em seus agressores.

Os parlamentares da oposição já querem que o STF reverta a medida. Bolsonaro se defendeu afirmando que “o povo tá vibrando” com a medida. Aqui, no blog, nós entendemos a fala como mais um sinal de quem o presidente é: alguém que entende que “povo” é uma categoria restrita a gente autoritária, que faz culto à morte, que não gosta da liberdade de imprensa e não raramente brinca com ou de milícia.


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A Nova Era – semana #110 – Trollagem constitucional no meio da Avenida Brasil

Enquanto os EUA mostram que não sabem fazer impeachment como o Brasil, Bolsonaro comete gaslight com o Brasil, o Centrão cobra a sua fatura e o DEM lava roupa suja em público.

Tudo isso e muito mais no resumo da semana 110 do governo Bolsonaro.


The following takes place between feb-02 and feb-08


Te desejo boa sorte e uma morte horrível

Agora que Bolsonaro conseguiu colocar gente pouco fiel no comando da Câmara e do Senado, ele quer parcelar uma conta que deveria ser paga à vista. Diz a boca fina que o Planalto fará a sua reforma ministerial a conta-gotas, aproveitando a oportunidade para trocar o inútil do Onyx Lorenzoni de lugar e trazer de volta quem deu problema no passado. O blog, na posição de entusiasta de medidas feitas pelo governo com alto potencial de desestabilizar o governo, apoia.

Para quem está lotado de prioridades e quer privatizar horrores, não existe desculpa para não reformar e privatizar horrores. Ou o Planalto mostra a que veio (para a felicidade dos Paulo Guedistas) ou encara logo o fato de que ninguém reforma e privatiza faltando dois anos para um governo sustentado pelo Centrão acabar.

Aliás, a chegada do Centrão aos lugares mais poderosos do Legislativo foi 100% dentro do que se esperaria do Centrão. A carta assinada por Pacheco (DEM-MG) e Lira (PP-AL) demonstra que há até alguma boa vontade com o Planalto, mas quem mandará mesmo no dia a dia da política nacional será o parlamento.

Mas é verdade ou é mentira?

Ricardo Lewandowski resolveu divulgar os bate papos entre Sérgio Moro e os procuradores da Lava-Jato que apareceram (ou não) na #VazaJato. Normalmente isso seria considerado um sinal de que as mensagens são sim verdadeiras e que indicam que o ex-juiz e os procuradores fizeram várias coisas que não deveriam ter feito.

Não parece que foi dessa vez.

A advogada e esposa de Moro está apenas pedindo para que a publicidade das mensagens seja sustada com o argumento de que elas foram obtidas de modo ilegal. Sobre a legitimidade das mesmas, nenhum pio. Vai ver ela ainda está muito ocupada pensando se Moro é ou não igual a Jair Bolsonaro para perguntar para o seu marido o que dizer sobre o tema.

Com o Centrão, com todo mundo

Falando em combate à corrupção, o Congresso está preparando um monte de votações que desagradarão demais quem apostou na veracidade das falas do Jair Bolsonaro de 2018. Certamente com o apoio do Bolsonaro de 2021, virá aí uma agenda com limites para punição em casos de improbidade administrativa e a colocação em banho-maria das PECs da prisão em segunda instância e do fim do foro privilegiado.

O Bolsonaro de 2021 também aguarda com carinho o julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) dos três habeas corpus que podem acabar com as investigações do esquema de desvio de dinheiro público do gabinete do agora senador Flávio B. F.B. quer tornar ilegais todas as provas que tenham sido obtidas pelo Coaf e que ajudam a demonstrar como o filho do presidente Jair Messias Bolsonaro (na época deputado) e os seus assessores movimentaram mais grana do que deveriam.

F. Bolsonaro tenta demonstrar, já faz um tempo, que as provas foram obtidas ilegalmente. A Receita Federal, o Tribunal Regional Federal da Segunda Região e até o próprio STJ, por outro lado, não gostam dessa tese. E olha que até a Abin entrou na brincadeira para ajudar a defesa do senador que calha de ser filho do presidente da República Federativa dos Estados Unidos do Brasil.

Arena 2.0

O bicho está pegando dentro do partido que tinha tudo para ser a grande força independente da direita conservadora-liberal brasileira após as eleições de 2020. E os principais players nessa briga tem nome e sobrenome poderoso: Rodrigo Maia (DEM-RJ) e ACM Neto (DEM).

Maia está irritadíssimo com o corpo mole/traição que Neto fez durante a eleição da presidência da Câmara. Após ameaçar soltar um impeachment caso o seu partido não apoiasse o seu candidato, o agora deputado carioca pensa em sair do partido e quer levar consigo 40 políticos para o Cidadania ou para o PSL. Depende de quem pagar mais, digo, oferecer as melhores condições políticas a médio e longo prazo.

Enquanto isso, ACM Neto está querendo seguir um caminho mais reacionário do que o que foi trilhado pela sua família quando ela ainda estava vinculada ao PFL. Neto até já circula como possível vice de Bolsonaro em 2022. Ao seu lado está o governador goiano Rodrigo Caiado, que defende abertamente o apoio do DEM à reeleição do presidente.

Independente do caminho que trilhar, faz bem ACM Neto passar numa aula de português e frequentar um divã. Não adianta não descartar o apoio eleitoral ao Bolsonaro em um dia e no outro dizer que o seu partido “não vai com extremos em 22“.

Quem tem como herói um torturador e sente saudades do tempo em que o país era governado por usuário de coturno é extremista. E o partido que apoia esse tipo de gente tinha nome: Arena (ou Partido Democrático Social (ou Frente Liberal (ou Partido da Frente Liberal (ou Democratas)))).

Os russos estão a todo vapor

Se Rodrigo Maia não conseguir migrar para o Cidadania ou o PSL, tem sempre um PSDB se movimentando para abrir as portas para o deputado carioca. O governador paulista, João Dória, quer fazer um expurgo do PSDB que tire do partido tudo mundo que está ligado ao deputado Aécio Neves (MG). Para o paulista, o mineiro é um foco de governismo dentro do partido e um entrave aos seus desejos para 2022.

O blog suspeita que Dória anda tomando o seu chá da tarde no apartamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Só isso justifica o desejo do tucano em tomar decisões com cinco anos de atraso. Em todo caso, fica a pergunta: se o partido não for para o segundo turno nas eleições de 2022, ele pretende se manter neutro ou apoiará quem estiver contra o atual presidente?

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Está ruim e vai piorar

O Brasil entrou 2021 ligando para o Serasa e pedindo para renegociar as suas dívidas. O montante a ser rolado será de 18,5% do nosso PIB. Este é o maior nível desde 2005, quando a série histórica começou a ser registrada.

Rolar R$ 1,4 trilhão não é um problema se você é um governo com projeto claro, comunicação inteligente, pouca disposição para desestabilizar o país e uma articulação política bem organizada. Mas, como o nosso governo é exatamente o oposto disso, talvez seja a hora de começarmos a nos preparar para algo que todo mundo já viu no passado: Selic torando.

Botando a cabecinha

A Anvisa facilitou a compra de vacinas para o Brasil, reforçando o ponto de que o maior problema para termos vacinas em massa no Brasil é Jair Messias Bolsonaro.

Temos que agradecer ao Centrão pela ajuda, portanto, obrigado pela ajuda, Centrão. O líder do governo na Câmara fez o que o Centrão faz de melhor e ameaçou destruir a independência e a boa gestão de mais um órgão público para garantir que os seus desejos fossem atendidos. Enquanto o diretor da agência se defendia sozinho, sobrou até tempo para o Bolsonaro não agradecer pela lambida de bola gratuita.

Naturalmente, tem muito dinheiro e interesse privado envolvido nessa história.

Falando em vacina, o Ministério Público do Trabalho está orientando os empresários a investir na conscientização dos seus funcionários sobre a importância da vacinação contra a covid-19. Em último caso, segundo o órgão, pode rolar até demissão por justa causa para quem não estiver imunizado. O blog sugere que os ofendidos com a ideia utilizem algum vídeo do presidente como prova de que a vacina não deve ser obrigatória para impedir a demissão.

Quem quer ficar sem vacina terá ao seu lado um governo que tem dificuldades para explicar “com base em critérios técnico-científicos” a maneira como a fila de imunização está organizada. Nesse caso, não há lobby da União Química ou dinheiro de empresária bilionária que ajude a vacinação em massa a se tornar uma realidade.

Agora vai?

Para quem ainda tem esperança de que Bolsonaro (ou alguém de seu governo) pode ser punido pelo que aconteceu ao longo da pandemia, está na hora de renovar a assinatura do serviço de esperanças inúteis. O procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu uma apuração preliminar para avaliar se o presidente teve algum impacto nos desastres que ocorreram no Amazonas e no Pará.

Também é alvo da apuração o ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O ministro (e general nas horas vagas) prestou um depoimento de 4 horas para a Polícia Federal. O objetivo? Listar todas as péssimas ações feitas (ou que deveriam ter sido feitas) pela sua pasta no combate à pandemia e o esforço que o governo fez para distribuir remédio inútil.

Para quem acha que a apuração foi tomada pela boa vontade da PGR ou por uma ação movida por algum movimento liberal muito preocupado com a saúde dos brasileiros, esta é a hora em que o blog pede para tirar os cavalinhos da chuva: nada disso teria acontecido sem a ajuda dos advogados do PCdoB.

Meanwhile, no Senado, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou no Senado um pedido de CPI. Com assinatura de 30 senadores, a CPI é focada em investigar se o governo se omitiu no combate à pandemia. Para virar realidade, o presidente da Casa deve autorizar o pedido.

Não é por falta de aviso

O comitê de política ambiental da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) cancelou a discussão sobre a possibilidade do Brasil ganhar um upgrade de classe no órgão. Uma decisão positiva a favor do Brasil que faça ele deixar de ser convidado e se torne participante do comitê é fundamental para que a nossa diplomacia possa acelerar o processo de adesão à OCDE.

Não é de hoje que o Brasil quer se tornar membro da OCDE, mas a postura de Bolsonaro (e de seus apoiadores/enablers) diante das questões ambientais e a morte horrível de Donald Trump nas últimas eleições estadunidenses tornam as nossas chances minúsculas.

A remoção do Brasil da agenda da reunião que acontece no dia da publicação deste post foi obra de uma carta da ONG Human Rights Watch. O resto do processo de isolamento mundial deve vir com a ajuda de outros ativistas bem articulados com a Casa Branca.

Dobrando a realidade

Bolsonaro continua a tratar o Brasil como a Karol Conká trata o Arcrebiano no BBB. Após dizer que vacina não era obrigatória, que a Coronavac não deveria ser comprada e que existiam alternativas mais interessantes, Bolsonaro apagou a sua memória. Ontem (08), Jair disse que “nunca fui contra a vacina, sempre disse ‘passou pela Anvisa, compra’. Tanto é que a CoronaVac passou pela tangente” e também afirmou que “estamos preocupados com a vida. Se vacinar, a chance de voltarmos à normalidade na economia aumenta exponencialmente. Queremos isso aí”.

A Karol Conká do Planalto também disse que o auxílio emergencial deve voltar “para ontem”. Nem parece que foi outro dia que Bolsonaro afirmou que a retomada do pagamento “quebraria o país” e que era mais fácil retomar as atividades presenciais em toda a nação. Em notas relacionadas, pesquisa recente divulgada pelo XP/Ipespe apontou um aumento da avaliação negativa do governo relacionada ao fim do auxílio.

Os problemas de memória do presidente também estiveram presentes na solenidade de abertura dos trabalhos legislativos de 2021. Após ser chamado de “genocida” e “fascista” por parlamentares da oposição, Jair disse que foi deputado federal por 28 anos e que, apesar das divergências, nunca desrespeitou autoridades que ali estiveram.

Não estiveram incluídos na análise do presidente eventos como o dia em que ele disse que não estupraria uma deputada pois ela “não merecia“. Ou o dia em que ele cuspiu em outro deputado. Ou aquela vez em que ele caluniou Dilma Rousseff com insinuações sexuais. Ou o voto dele na votação do impeachment de 2016 após torcer pela sua morte. Ou o dia em que ele disse que Fernando Henrique Cardoso deveria ser fuzilado. Ou o dia em que foi acusado de dar um soco no senador Randolfe Rodrigues (2013). Ou quando ele chamou o ex-ministro Luiz Carlos Breesser-Pereira de ladrão.

Vai ver Bolsonaro tem um conceito de autoridade que é limitado à figura asquerosa, reacionária e autoritária que ele encontra sempre que está de frente para um espelho.


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A Nova Era – semana #84: 101.752

O silêncio ensurdecedor do presidente sobre os seus rolos, a reforma tributáriazinha do Guedes e um monte de coisa que é absolutamente normal em uma República democrática federativa. Tudo isso (e muito mais) no resumo da semana #84 da Nova Era.

E não esquece de compartilhar o post com o papai, a mamãe e a titia..


The following takes place between aug-04 and aug-10


Pode acontecer

Paulo Guedes continua fazendo gaslight com o povo brasileiro. Após entregar a cabecinha da sua reforma tributária, o ministro foi à casa legislativa nacional afirmar que a nova CMPF não é uma nova CMPF. Com o charme e a parcimônia de sempre, insinuou burrice por parte dos deputados e atacou gratuitamente o relator da reforma tributária.

Justiça seja feita, quando o ministro fala sobre a reforma tributária, ele não é um poço de ideias velhas e novas completamente ruins. Tirando a insistência em tratar desoneração da folha como algo que funciona (não funcionou aqui e nem lá fora), existem até alguns pontos que podem ser defendidos por qualquer um com bom senso.

Se de um lado a nova CPMF acaba encarecendo tudo para todos (mas menos para os mais ricos), a CBS encarece mais os serviços consumidos pelos mais ricos. Lucros e dividendos, com sorte, serão tributados (triste dia para os profissionais liberais que aproveitam-se da estrutura tributária para pagar menos imposto de renda). E para não deixar de lado as notícias tristes para o topo da pirâmide que se encantou pelo ministro: ele ainda quer acabar com as desonerações do Imposto de Renda que envolvem o pagamento de planos de saúde e ensino privado.

Até relógio quebrado pode estar certo duas vezes por dia.

Sugar daddy

Fabrício Queiroz não é apenas um grande empreendedor do ramo da indústria dos automóveis. Segundo as revelações dos últimos dias, o ex-funcionário dos Bolsonaro era, também, um grande sugar daddy (mas sem comer esposas, como Osmar Terra faria).

As descobertas se deram em função das investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa carioca. A história começou com uma confissão de Queiroz: segundo ele, F. Bolsonaro tinha sido informado sobre os seus prováveis esquemas ilegais no final de 2018 (o que teria deixado o senador muito, muito, muito triste).

Mas o que deve ter deixado F. B. triste, de verdade, foi perceber que ele e a sua esposa perderiam o seu sugar daddy. Afinal de contas, segundo o próprio senador, Queiroz era o responsável pelo pagamento de suas contas pessoais. Tudo sempre dentro da legalidade, claro.

O mesmo senador (que carece de ser o filho do presidente) também disse, em depoimento, que o seu gabinete usou R$ 86 mil reais em dinheiro vivo para comprar salas comerciais. Os valores teriam sido emprestados pelo seu pai (aquele, que é o presidente do Brasil) e um irmão (que também é filho do presidente brasileiro). Tudo muito normal e seguro em pleno século XXI.

Voltando ao sugar daddy do ano, Fabrício Queiroz, o ex-assessor “sugar daddyou” a esposa de Flávio B. Fernanda recebeu R$ 25 mil do ex-assessor de seu marido. Quando questionado, o filho do presidente disse que não sabe a origem do dinheiro.

Queiroz também depositou R$ 90 mil nas contas da mulher do presidente. Os valores são um pouco maiores do que os que Jair informou no final de 2019. Mas espere, tem mais: entre 2011 e 2018, Queiroz depositou outros 21 cheques na conta da primeira dama, totalizando R$ 72 mil.

Queiroz não recebeu depósitos do presidente no mesmo período. Ao contrário de Jair Messias Bolsonaro, a sua esposa não possui foro privilegiado. As suas contas, portanto, podem ser vasculhadas à vontade pelo MP.

Os procuradores só precisam ser um pouco mais espertos. Não adianta vazar tanta informação para a imprensa e, no dia seguinte, perder o prazo para recorrer da decisão sobre o foro especial que foi garantido ao senador Flávio Bolsonaro pelo TJ do Rio. Aplicativo de calendário e lista de tarefas é gratuito e fácil de usar. O blog recomenda.

Tudo normal aqui

A revista Piauí trouxe uma matéria muito mal escrita, mas que tem um relato que, infelizmente, é totalmente factível. Segundo o texto, no dia 22 de maio de 2020, o presidente quase mandou o Exército passear dentro do STF. O motivo? A consulta de rotina feita pelo ministro Celso de Mello à PGR sobre a possibilidade de apreender o celular do presidente.

Segundo o texto, coube ao ministro Augusto Heleno apaziguar os ânimos de todos e colocar como opção ideal uma nota golpista. Não muda o fato, porém, que funcionários do alto escalão governamental (e oriundos das Forças Armadas) debateram os caminhos necessários para dar contornos de legalidade a um golpe. Mas, vamos combinar: dá para ficar assustado com isso em pleno 2020? Não dá.

Tudo absolutamente normal aqui

Continuando a lista de absurdos autoritários que acontecem no Brasil e parecem completamente normais para o governo de Jair Messias Bolsonaro, o Ministério da Justiça negou ao STF que tenha monitorado os 579 professores e policiais declarados antifascistas a partir de um “viés investigativo, punitivo ou persecutório penal“. Outros motivos, como o desejo de perseguir não penalmente essas pessoas, porém, não foram negados.

O ministro da pasta também recusou-se a enviar a cópia do dossiê que foi feito pelo ministério. Segundo ele, as informações da pasta devem ser protegidas por terem alto valor. Além disso, Mendonça considerou que o escrutínio das suas ações por outros poderes é algo que pode “tisnar a reputação internacional do país e a impingir-lhe a pecha de ambiente inseguro para o trânsito de relatórios estratégicos“. A simples existência do relatório, pelo visto, não é motivo para nós sermos vistos como uma republiqueta de baixa qualidade democrática.

A Justiça também se recusou a compartilhar os dados com o MPF. Igualmente, a pasta também se recusou a confirmar (ou negar) a existência do documento. No Nexo o leitor pode entender melhor o que a área responsável por essa possível ilegalidade deveria fazer, mas não faz.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Rentismo: em baixa

O rentismo nacional já viveu dias melhores. Na última semana, o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual. A nova mínima histórica é de 2% ao ano. O que isso significa, em outras palavras? Que temos outro problema de país desenvolvido sem ser desenvolvido (juro negativo).

O Conselho de Política Monetária deixou claro que, se deixarem, o valor cairá um pouco mais na próxima reunião. Considerando que estamos há alguns meses com quedas repetidas da taxa de juros sem que isso reflita em um aquecimento da economia, o blog faz a sua aposta: a Selic vai brincar de dentadura postiça.

Ao contrário do presidente, também está em queda a taxa inflacionária. Mas não necessariamente para os mais pobres: o Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1) segue no seu maior valor em seis meses (com expectativa de alta em função dos preços dos alimentos (e não das novas notas de R$ 200)).

Desemprego: em alta

A taxa de desemprego nacional subiu para 13,3% no segundo trimestre. Esse é o maior nível dos últimos três anos, segundo os dados oficiais do IBGE. É importante notar que esse é o primeiro levantamento que passa completamente pela pandemia.

A maior parte da queda se deu no setor informal, com menos proteções para os trabalhadores. O maior problema do número, porém, é o que ele não considera (os trabalhadores que deixaram de procurar emprego). Por isso o internauta pode esperar por um aumento dos indicadores quando tudo isso passar (pois uma hora, passará).

Enfim, a hipocrisia

A 2ª Turma do Supremo decidiu que a delação premiada de Antonio Palocci não pode ser usada no processo que acusa o ex-presidente Lula de ter recebido um terreno da Odebrecht como propina. Para quem não se lembra, as acusações de Palocci foram tornadas públicas por Sergio Moro às vésperas do 1º turno das eleições de 2018.

Para o ministro Lewandoswki, a ação de Moro influenciou “de forma direta e relevante” o resultado da eleição. Boa parte das pessoas que acompanharam o caso já tinham percebido isso em novembro de 2018. É uma pena que os ministros tenham demorado quase dois anos para tirar essa conclusão.

Na última semana, o relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin, revogou a decisão de Dias Toffoli que obrigou as forças tarefas da operação em três capitais a compartilharem os dados de investigações com a Procuradoria-Geral da República. O Nexo fez um grande resumão sobre as brigas envolvidas nesse vai e vem sobre o compartilhamento dos dados (mas dá para ter uma ideia olhando os últimos resumos do blog, também).

A graça de toda essa história, porém, está nas atitudes que a operação tomava no passado. Apesar do choro de procuradores no Twitter, a Lava Jato não tinha como hábito tratar o compartilhamento de dados como algo pontual. Pelo contrário: as relevações da #VazaJato mostraram que a equipe de Dallagnol sempre caminhou pelo vale da sombra da morte e do *direito achado na rua* (proj. @fabriciopontin) quando a troca de informações com outros órgãos era interessante.

Os procuradores precisam entender que troca de dados funciona como mão enfiada dentro do buraco de um glory hole: se funciona para um, tem que funcionar para todos.

100.000+

O Brasil demorou, mas atingiu a marca de 100.000 mortos por covid-19 desde que a pandemia começou. Mais precisamente, 101.752 mortes até a noite da segunda-feira, dia 10.

Em relação à marca, o presidente informou que lamenta todas as mortes e que tocará a vida (comprando churrasquinho na rua, passeando de jet-ski e promovendo aglomerações por onde passa). Também disse que buscará uma “maneira de se safar desse problema” (como se fosse muito difícil definir o que pode(ria) ser feito para evitar um número tão grande de mortes).

Poucas horas antes, quando assinou uma medida provisória que abria crédito extraordinário para comprar, processar e distribuir 100 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, o presidente disse que estava com a consciência tranquila. Disse Jair que fez “o possível e o impossível para salvar vidas, ao contrário daqueles que teimam em continuar na oposição” (como se isso fosse um crime).

Quem vê o presidente se alternando entre “fiz o que deu” e “o STF me impediu de fazer qualquer coisa” (mentira) pode até cair na lábia fina deste senhor. Mas a história manterá o registro de que Jair Bolsonaro apostou no negacionismo e dobrou a aposta acrescentando um voto a favor dos indicadores que temos hoje. E, com a anuência do presidente, a História será livre para julgar ele (e o ex-ministro Mandetta) sobre a insistência em abrir o comércio antes da hora e ignorar as normas de saúde pública adotadas em todo o mundo.

Não adianta utilizar o Twitter para atacar a TV Globo ou os canais públicos de comunicação institucional para afirmar que o país é a nação que mais recupera doentes de covid-19 no planeta. Ainda que os relatórios internos tentem colocar nos governadores a maior culpa pelas mortes por covid-19 no país, é no Planalto que mora o principal culpado por colocar o país na situação lamentável em que ele se encontra.

Também não adianta, agora, o ministro interino da Saúde dizer que apoia medidas de afastamento social. As suas atitudes (ou a ausência delas) serviram de palco para que Bolsonaro se comportasse como um genocida em potencial. Mais uma vez, todos são culpados, mas uns são mais culpados do que os outros.

Em 2022 teremos novas eleições e a possibilidade de Jair Bolsonaro acertar as contas sobre o seu obscurantismo, o seu autoritarismo e a sua corrupção de pobre com a nação brasileira ao lado de quem o legitimou. Seria bom, porém, que o movimento político aproveitasse a primeira oportunidade pós-pandemia para fazer a sua parte. É possível até compreender a necessidade de não tocar um impeachment enquanto milhares morrem diariamente, mas quanto mais o tempo passa, maior será a parcela de culpa de Rodrigo Maia e companhia LTDA.


Todos os posts da série estão disponíveis aqui.

Escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no meu Twitter ou até mesmo no meu Curious Cat.

A Nova Era – semana #83: ema ema ema

Bolsonaro ainda fazendo merda enquanto não cuida das suas doenças, as batalhas do Centrão, as rusgas da Lava Jato com a PGR e Rodrigo Maia se mostrando o maior aliado do Greenpeace. Tudo isso e muito mais no resumo da semana #83 da Nova Era.

E não esquece de compartilhar o post com o papai, a mamãe e a titia..


The following takes place between jul-28 and aug-03


O Centrão está virando centrinho

Arthur Lira perdeu força. O bloco que o deputado do PP coordena perdeu o apoio do DEM e do MDB. Lira é um dos postulantes ao cargo hoje ocupado por Rodrigo Maia e agora deixou de ter 63 pessoas ao seu lado.

Junto com o PSDB, DEM e MDB se articulam para promover um nome centrista para caralho à presidência da Casa. Maia gosta da iniciativa. Bolsonaro (e Lira), nem tanto. E olha que o bloco organizado pelo PSL ainda é teoria.

Por algum tempo houve quem disse que Maia estava perdendo força. Na melhor das hipóteses, o primeiro ministro entendeu que não será possível manter-se a frente da Câmara em 2021. Mas isso não o impede de deixar a oposição feliz e tentar esquentar a sua cadeira para um nome que desagrade Bolsonaro.

O sucesso de Maia é importante para o Brasil e para o presidente. Para o Brasil, pois garante que não teremos um lacaio do Planalto na presidência da Câmara blindando Jair Bolsonaro do seu acerto de contas pós-pandemia. Para o presidente, pois é o lugar em que pode nascer uma força eleitoral capaz de impedir a sua reeleição se ele chegar vivo em 2022.

Eu sou obrigado a ter empatia?

O ministro Edson Fachin será o responsável por avaliar o uso de dinheiro público do governo para defender filho da puta. Há quem está do lado do presidente. Mas nada impede a Suprema Corte de deixar o sentimento de autoproteção falar mais alto.

Assim como na última semana, o blog segue entendendo quem critica todos os problemas do inquérito das fake news. Mas fica muito complicado ter empatia com quem espalha que Felipe Neto é pedófilo por aí. Especialmente quando Alexandre de Moraes manda bloquear a contas dessas pessoas em todo o planeta.

Toca pro pai

O grande empresariado cansou de esperar uma atitude do governo em relação a Ricardo Salles, ex-filiado do partido Novo e atual ministro do Meio Ambiente. Nos últimos dias, líderes da área resolveram conversar com o presidente da Câmara para tentar manter algum dinheiro do exterior dentro do país. O grupo envolve gente que está à frente de grandes bancos, empresas de alimentos e metalurgia.

O objetivo dessa vez não é, necessariamente, derrubar o ministro (mas se quiser, o blog apoia). A ideia é garantir que a retomada econômica seja um pouco mais sustentável. Vai sobrar linha de crédito para empresário em 2021. Não custa nada colocar uma regra de sustentabilidade ali no meio.

Em notas relacionadas, o governo Bolsonaro passou a boiada: desde o começo da pandemia, 195 atos relacionados a políticas ambientais foram publicados.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Normal isso

Há algumas semanas o governo foi pego montando dossiê escondido sobre funcionários públicos que se declaram antifascistas na internet. Quando questionado, o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, disse que não havia nada de errado no tema. Depois, falou que não admite “perseguição a grupo de qualquer natureza“.

O Ministério Público Federal abriu o olho e resolveu fazer algo mais forte do que a baixa reação da opinião pública diante do caso. O órgão pediu informações ao governo sobre o monitoramento de opositores. No Congresso, parlamentares já articulam-se para convocar André Mendonça para explicar essa história.

Em um país minimamente sério, isso já teria dado um escândalo muito maior. Como isso é o Brasil, o blog recomenda o uso da ProtonVPN por aí e uma passada de olho nas configurações de privacidade da rede social favorita. É grátis.

Foda passar por isso

Há algumas semanas a “Lava Jato eleitoral” (mais um desses ramos da Lava Jato que ninguém sabe de onde veio e para onde vai) achou que tinha liberdade para entrar em gabinete de senador buscando informação sobre possível lavagem de dinheiro. Dias Toffoli parou a brincadeira. Mesmo assim, o tucano José Serra virou réu na Justiça Federal (na Justiça Eleitoral a investigação está suspensa).

Mas esse não foi o único problema que a Lava Jato encontrou ao longo da semana. Aliás, não foi sequer a maior dificuldade dos procuradores. O inimigo dessa vez era outro: o Procurador Geral da República, Augusto Aras.

Aras quer “corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure“. O PGR deseja colocar luz nas ações da força tarefa e dar mais transparência aos 400+ terabytes de dados de 38 mil pessoas. Está errado? Não muito.

O Ministério Público tem muita autonomia, mas ainda precisa ser verificado vez ou outra para não cometer abusos. Não vamos entrar nos detalhes jurídicos da legalidade do ctrl+c ctrl+v feito pela Procuradoria em Curitiba nos últimos dias (ou quem será beneficiado com isso), mas quem poderia imaginar que a escolha muito difícil teria um gosto tão amargo para a Lava Jato, não é mesmo?

Era melhor não ter soltado aquela delação do Palocci em 2018. Moro ainda teria algum prestígio e Dallagnol estaria sem uma corda no seu pescoço. Ou duas. Ou três.

Ser procurador da Lava Jato hoje em dia é algo muito complicado. Em um dia você perde espaço no governo, no outro os apoiadores do presidente gritam que é para acabar com a Lava Jato e antes de chegar no final de semana estão tirando das suas mãos o poder de fazer acordos de leniência. Mas pelo menos a aposentadoria e os penduricalhos seguem maravilhosos, não é mesmo?


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Indicações para o seu final de semana #7: a própria soneca após o almoço

Hoje é sexta-feira e eu resolvi indicar. Várias cinco coisas. Então tome um suco de maracujá, compartilhe o link para esse post com o amigo isolado mais próximo e veja o que eu preparei para você.


Coisas para ler no computador

Essa matéria sobre o Igor Fraga que veio direto da Interfaces

Imagine tentar uma carreira para ser o Brasil na Formula 1, falhar, começar a jogar Gran Turismo e voltar a competir profissionalmente? A história do Igor Fraga foi mais ou menos assim e é explicada nesse link, que caiu na Interfaces há algumas semanas.

Coisas para ler fora do computador

The High Cost of Free Parking, do Donald Shoup

O blog é um grande entusiasta de urbanismo e mobilidade em grandes centros urbanos. E uma coisa que pouco se fala sobre esse tópico é o alto custo do estacionamento público gratuito. Felizmente alguém resolveu fazer isso.

Donald Shoup escreveu 800 páginas (em inglês e no LibGen mais próximo) para explicar como esse forma de direcionamento do gasto público para benefícios privados ajuda a tornar cidades menos adensadas, menos seguras, mais engarrafadas e poluídas. Coisa linda.

Coisas para escutar

Essa curta temporada de Foundering, do Bloomberg

A We Work é mais um daqueles casos que mostram que até mesmo os bilionários das empresas de investimento são capazes de tomar decisões irracionais e entregar a sua grana para quem não merece. Essa temporada do Foundering, feita pelo Bloomberg, conta como a WeWork nasceu, cresceu e voou alto demais. Tudo isso com materiais exclusivos.

Coisas para assistir

Esse video do Amdre Young explicando como os jogos mobile são feitos para arrancar dinheiro alheio

Um belo dia o Ambre Young fez um joguinho para celular e publicou na Play Store. Neste vídeo de 10 minutos ele fala sobre como funciona a dinâmica de Ads para celulares. O jogo é sujo, bem sujo.

E se a sociedade entrar em colapso?

Aprenda a fazer esse brioche do Alex (canal que o Henrique talvez tenha indicado pelo Twitter) e coma bem. Mas faça com uma batedeira para não destruir o seu braço, ok?

Acha que está faltando algum link legal? Então manda ele nos comentários!


Escrito pelo Guilherme e revisado com sono. As dicas anteriores estão aqui.

Qualquer erro pode ser apontado diretamente no meu Twitter ou até mesmo no meu Curious Cat.

A Nova Era – semana #82: era melhor ter deixado para a semana que vem

A reforminha do Guedes, a má gestão de recursos públicos do Ministério da Saúde, o abraço de Jair com o Centrão e os limites da liberdade de expressão. Tudo isso e muito mais no resumo da semana #82 do governo Bolsonaro.

Não se esqueça de compartilhar com o papai, a mamãe e a gatinha.


The following takes place between jul-21 and jul-27


Melhor nunca do que tarde

Paulo Guedes resolveu apresentar a sua reforma tributária e você não vai acreditar no que ele mostrou para a gente. Para a surpresa de literalmente ninguém que cai no canto de sereia do ministro, a sua proposta deixa a desejar e atrapalha o que já está sendo feito.

O ministro adotou como meta apenas unificação do PSI e da Cofins em um novo imposto, o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) com alíquota de 12%. Enquanto isso, no mundo das pessoas sérias e razoavelmente bem preparadas, a Câmara e o Senado debatem propostas muito mais robustas e amplas.

As PECs 45 e 110 já estão em estágios avançados e com a intenção de eliminar entre cinco e nove impostos sobre consumos. E o melhor: conta com o apoio formal da maioria dos governadores.

Ficou de fora (por hora) a ideia de uma nova CPMF (que o governo jura que não é CPMF). A ideia fixa de Guedes é tão ruim que até Delfim Netto é contra. Imagine uma proposta ser tão ruim que até mesmo o cara que topou ser signatário do AI-5 resolve se colocar do outro lado do debate?

Vai subir: imposto

A ideia de Guedes pode gerar aumento de impostos para vários setores, especialmente os de serviços (que não está muito feliz com isso). Em parte, por ser essa uma área pouco tributada no cenário atual (o que faz qualquer corte de subsídio se transformar em aumento de carga tributária). Em parte, por estarmos em um cenário fiscal em que nenhum centavo pode ser jogado fora.

O governo também quer corrigir a tabela do Imposto de Renda e acabar com as deduções de saúde e educação. O blog é a favor. O blog não apoia governo financiando indiretamente o estudo de quem pode pagar por ele. Se tudo der certo, até tributos e dividendos serão tributados pelo Guedes.

Lobby não oficial

Guedes quer deixar a reedição da CPMF para a metade de agosto. O ministro quer apoio de grandes empresários para fazer lobby informal com políticos. A base do argumento a gente já tem: a contribuição será pequena (mas a arrecadação em potencial será gigante).

Os pobres que serão afetados pela medida e deixarão de utilizar serviços bancários não são capazes de bater em gabinete de deputado de Brasília para mostrar como isso é uma ideia ruim. Guedes sabe disso.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Apagão da turma da fake news

O nicho da internet travestido de opinião pública passou mais uma semana debatendo os limites da liberdade de expressão. Mas dessa vez o centro do debate não estava focado em algum cancelamento que não cancelava ninguém. O assunto foi direcionado para a decisão do STF de suspender a visualização de perfis de gente abobada na internet para IPs brasileiros.

As medidas se deram no famoso inquérito das fakes news movido pela Suprema Corte. O ministro Alexandre de Moraes impediu que várias contas ficassem disponíveis para os IPs nacionais. Não é exatamente censura, mas é bem próximo disso.

O blog não vai debater a legalidade do fato pois o blog não é tudólogo para debater leis a esse ponto. Mas um questionamento deve ser feito: repetir as palavras da ativista Sara Giromini, que usa publicamente o sobrenome Winter (“XANDIN, VAI TOMAR NO CU, DITADOR DE MERDA”), pode gerar problemas para pessoas que não ameaçam o ministro nas horas vagas? Ou é necessário gamificar vários pontos em termos de ameaças às instituições públicas e os seus membros?

É difícil saber quando o inquérito segue em sigilo. É meio complicado, também, defender um cenário em que o investigador também processa e pune. Mas é muito, muito, muito difícil ter empatia pelas pessoas afetadas.

O blog não é instituição de caridade para ter empatia por qualquer imbecil.

Em notas não relacionadas, o grande defensor da liberdade, Jair Bolsonaro, mobilizou a Advocacia-Geral da União para contestar a decisão do STF. O gado agradece a nova narrativa.

Isso dá impeachment?

Na última semana o Brasil se tornou o país com a maior taxa de mortes diárias por covid-19 no mundo inteiro. Se alguém duvidava da nossa capacidade de ser bom em algo, está na hora de fazer a mea culpa. Os 100.000 casos estão logo ali.

E o governo federal no meio dessa história toda? Terá que explicar para o Tribunal de Contas da União a sua estratégia de uso de recursos no combate à pandemia. Ou melhor, terá que dizer por qual motivo gastou só um terço do dinheiro que estava disponível entre março e maio.

Enquanto lotava os armazéns federais com hidroxicloroquina, o governo era alertado de que os remédios que realmente funcionam no combate à doença estavam em falta. Agora temos 4 milhões de comprimidos sem destino certo (a lixeira só será um deles em dois anos). No meio tempo, também disse que não era obrigado a fornecer testes, respiradores e máscaras.

Esse não é o primeiro exemplo de mal uso de recursos públicos do Ministério da Saúde nesse ano. Certamente não será o último. Depois, quando as sanções chegarem, não adianta reclamar.

Centrão? Nunca critiquei

O governo segue abraçando o Centrão como se tivesse jurado que não abraçaria o bloco fisiológico durante as eleições. Enquanto os inevitáveis escândalos de corrupção chegam, vamos aproveitar para rir de quem se deu mal: os apoiadores de primeira ordem e olavistas de plantão.

Bia Kicis perdeu a vice-liderança do governo após votar contra o Fundeb. Já o Major Vitor Hugo depende da habilidade de Rodrigo Maia conseguir mantê-lo no cargo. Não é um trabalho fácil: Ricardo Barros, possível substituto, é um manobrador de agendas muito mais eficaz do que a turma que concorda com Bolsonaro em tudo o que há de mais ruim no mundo.

A briga seguirá em aberto nos próximos meses e envolverá até mesmo a saída de Maia do cargo de presidente da Câmara. Pelo sim, pelo não, o blog seguirá apostando as suas fichas contra o sucesso do país e a vitória de Bolsonaro nas eleições de 2022. Ser otimista dá trabalho.


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A Nova Era – semana #80-81: quem paga esse aluguel?

Pau quebrando no MPF, Gilmar Mendes sendo a voz da razão e o novo ministro da Educação. Tudo isso e muito mais no resumo de mais uma semana da Nova Era.

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The following takes place between jul-07 and jul-20


O dia a dia do MPF segue agitado

O dia a dia dos procuradores da Lava Jato anda complicado. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, obrigou a força-tarefa do Ministério Público a compartilhar os dados de investigações com a Procuradoria-Geral da República. A turma de Curitiba, para variar, esperneou.

Os procuradores chamaram a ordem do STF de “orientação jurisprudencial nova e inédita” ainda que esse tipo de medida já tenha sido adotada anteriormente: a força-tarefa já fez o compartilhamento de investigações com autoridades da Suíça e de Mônaco para obter provas.

Não faz muito tempo, também, que os procuradores colaboraram com o FBI e o DOJ (Departamento de Justiça dos EUA). Os concurseiros brasileiros valem menos do que os concurseiros europeus e estadunidenses? Quando vamos valorizar a indústria judiciária nacional?

Como se o inferno já não fosse quente o bastante, a PGR já deixou claro que desconfia que os procuradores fizeram investigações informais sobre Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Ou ilegais, já que o foro de ambos está fora da alçada dos profissionais de Curitiba.

Compartilhar dados (legalmente) é algo que é visto como boa prática por qualquer operador do direito. Isso torna processos mais transparentes e confiáveis. Se a Lava Jato não estivesse tão desmoralizada, talvez teríamos até debatedor de canal pago apontando que o PGR está errado e jogando contra o Brasil.

Positivo e operante

O dodói mais poderoso do país tornou público o seu exame de confirmação de Covid-19. Ao contrário da última vez, agora o presidente não fez cerimônia sobre a sua doença. Ou sobre o tratamento sem comprovação científica de eficácia que adotou.

O presidente também tornou público o que não deve ser feito quando se está com Covid-19. A OMS manda identificar, testar, isolar, tratar o doente e garantir que as pessoas que entraram em contato com ele se cuidem de modo adequado. Também é recomendado que o tratamento não envolva a politização do tema.

Nada disso foi feito.

Jair Bolsonaro aproveita que Trump tratou o país como lata de lixo de cloroquina para fazer propaganda do remédio. O presidente sabe que está errado e insiste no erro. Não dá para fingir surpresa diante da sua atitude, porém.

Gimme vaga no STF pls

João Otávio Noronha continua a sua campanha por uma vaguinha no STF. O presidente do Superior Tribunal de Justiça determinou que Fabrício Queiroz vá para prisão domiciliar. Queiroz foi preso sob a acusação de que a sua liberdade poderia prejudicar as investigações.

Junto com Queiroz ficará Márcia Aguiar, sua esposa. O ministro afirmou que Márcia precisa cuidar do marido. Faz pensar que ele não tem uma filha para fazer isso (ou dinheiro de procedência duvidosa para pagar um profissional qualificado).

Não é a primeira vez que Noronha faz uma decisão que deixa Bolsonaro feliz. Tanto é o caso que o presidente já fez alguns elogios públicos ao magistrado. Não faz muito tempo que Noronha envergonhou o tribunal liberando a nomeação de Sérgio Camargo para a Fundação Palmares.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Tic tac tic tac

O presidente da CPMI das Fake News, Angelo Coronel, quer marcar um depoimento com o assessor especial do presidente, Tercio Arnaud Tomaz. Tomaz é apontado pelo Facebook como um dos funcionários públicos em cargo de livre nomeação como administrador de perfil utilizado para espalhar mentira.

Tercio tem acesso livre ao Palácio da Alvorada. Aos 33 anos, tem como conquista popularizar o apelido “mito”. Pode parecer pouca coisa, mas é sempre bom lembrar que, ao contrário das relações de Jair Bolsonaro com Queiroz, os parlamentares e o Tribunal Superior Eleitoral podem utilizar eventuais ações ilegais do assessor especial para derrubar o presidente.

O novo futuro ex-ministro da Educação

Temos um ministro da Educação para fazer o Enem online e falar merda sobre as universidades públicas. O militar da reserva Milton Ribeiro assumiu o posto na última semana. Nas horas vagas, é evangélico, defensor de castigos físicos para crianças e ex-vice-reitor da Universidade Mackenzie.

O blog não tem recursos para identificar, mas deixa a dica para quem estiver lendo: é bem provável que o Ministério da Educação tenha se tornado uma filial da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

E tá errado?

O ministro da Saúde está galgando o seu nome como o segundo maior culpado pelas mortes por Covid-19 no Brasil. O general que comanda a pasta, conhecido pela sua experiência com logística, não consegue fazer o básico: entregar kits completos de testagem para a rede de saúde pública.

A situação chegou a um ponto que o ministro do STF Gilmar Mendes afirmou que “o Exército está se associando a esse genocídio”. Errou? Não errou.

Mas é importante notar que genocídio não é uma palavra leve. Pelo contrário, é um crime que pode ser julgado por corte internacional. Os militares sabem disso e temem que a fala de Gilmar Mendes abra espaço para que o governo federal tenha que se explicar no exterior. Ou internamente. O leitor pode escolher.

Está bom de acabar isso aí

A conta para manter Ricardo Salles à frente das políticas ambientais brasileiras está crescendo em ritmo acelerado. Quase tão custoso quanto manter o ministro da Saúde no cargo.

Nos últimos dias, após vários avisos de gestores de grandes fundos de investimento, os pedidos por mudança vieram de ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central de todos os governos desde a redemocratização. Juntos, eles assinaram uma carta a favor de uma retomada “verde” após a pandemia. Até FHC esteve no meio.

Considerando o histórico recente, é pouco provável que isso ocorra. Há poucos dias, o governo exonerou Lubia Vinhas da coordenação dos sistemas do Inpe que registram a devastação da Amazônia.

Marcos Pontes justificou-se dizendo que o órgão passa por uma reestruturação e que Vinhas foi direcionada para um projeto estratégico. Técnicos do instituto, por outro lado, afirmaram em carta que há uma estrutura paralela no órgão nos moldes de uma estrutura parlamentar.

Enquanto isso acontecia, o número de sansões impostas pelo Ibama atingiu queda de 60% em um ano. Certamente não há uma relação entre o ato e a queda de recursos que o órgão teve nos últimos anos. E a gente sequer tocou na possibilidade de Salles perder mais dinheiro para cuidar das nossas florestas após agosto, hein?

Já há gente que entende o tamanho do problema entrando em ação. Em reunião remota da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Paulo Guedes disse que o Brasil está disposto a corrigir os múltiplos erros da política ambiental do governo. Mas dá para confiar no ministro da semana que vem?

Jair Bolsonaro disse que não cederá a pressões externas e manterá Ricardo Salles à frente do Ministério do Meio Ambiente. Afirmou o mesmo para o ministro da Saúde. Agora só falta Allan Terça Livre replicar a mensagem para começarmos a ter um pouco de esperança com o futuro do país.

Outras pequenas notas do Quinto dos Infernos

Abemus novo Fundeb

Se tudo der certo, o novo Fundeb estará em votação enquanto este texto é publicado. O fundo é uma evolução das políticas de financiamento da educação básica criadas por FHC. Hoje é um dos principais (se não o principal) meio de financiamento da área no Brasil.

Sem Fundeb em 2020, corremos o risco de ter um apagão na educação nacional no seu momento mais crítico do último século. Enquanto milhões de estudantes tentarão recuperar o tempo perdido na pandemia, o fundo ajudará a manter escolas abertas e professores com o salário em dia.

A negociação da proposta não foi trabalho fácil. Envolveu alguns anos de discussão, muito vai e vem e acerto entre grupos com interesses distintos. Não é uma proposta que agrada a todos plenamente, mas diante da ausência da participação do governo federal no processo, é de se comemorar que o projeto tenha sido finalizado a tempo.

Pedalada educacional

Faltando poucos dias para a votação começar, porém, o governo federal resolveu entrar na conversa. Ignorando todo o consenso que já existia sobre o tema, o Planalto mandou uma nova proposta para o Legislativo. A entrada em vigor do Fundo ficaria para 2022 e o uso do dinheiro para pagar salários de professores seria restringido.

O maior absurdo, porém, veio em forma de populismo fiscal. Jair Bolsonaro quer tirar parte das receitas do Fundeb para pagar por um novo programa de transferência de renda. O truque? Se as receitas vierem do fundo, Bolsonaro não comete crime fiscal.

Enquanto Jair Bolsonaro tentava comprar o apoio dos governadores para que a sua ideia de última hora fosse aceita, um grupo de governantes assinou uma carta a favor da votação do projeto. Ou de qualquer projeto que fosse votável rapidamente. Romeu Zema, para a surpresa de ninguém, ficou de fora.

Limpando a farda com merda

O fato é que os militares ignoraram a sua posição frágil e levantaram a voz contra as falas do ministro do STF. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo disse em nota que vai entrar com uma representação na PGR contra Gilmar Mendes. O vice-presidente Hamilton Mourão disse que Gilmar “forçou a barra” e “ultrapassou o limite da crítica” (qual o limite da liberdade de expressão?).

Nos bastidores, porém, a banda toca de um jeito diferente. Os chefes das Forças Armadas já notaram que a legitimação do governo Bolsonaro está cobrando um preço muito alto para a imagem da instituição. As conversas para trocar Pazuello ou colocá-lo na reserva crescem conforme o número de mortos se torna maior.

O Planalto também notou isso e já partiu em busca de um novo ministro da Saúde. Mesmo com auxílio emergencial, a popularidade do presidente anda mal das pontas. Se o número de mortes não faz Jair Bolsonaro tomar alguma atitude, a possibilidade de ele perder o poder talvez ajude o mandatário a criar um pouco de vergonha na cara.

Ao longo da última semana, Gilmar Mendes reafirmou as suas críticas à atuação das Forças Armadas nos últimos meses. E também deixou claro que o Estado brasileiro pode estar atuando de maneira genocida no seu trato das populações indígenas. Quem poderia imaginar que o tiete da ditadura civil-militar agiria como Médici agiu, não é mesmo?


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A Nova Era – semana #79: retomou a paz

Os não ministros da Educação atacando novamente, as dores de Bolsonaro e as mágoas de Paulo Guedes. Tudo isso e muito mais no resumo da semana #78 do governo Bolsonaro.

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The following takes place between jun-30 and jul-06


O novo ex-quase-ministro da Educação

A horrível educação brasileira segue sem alguém para cuidar dela. Ao longo da semana, o secretário da Educação do Paraná, Renato Feder, foi cotado para assumir a pasta. Mas era um nome que desagradava a militares, líderes religiosos e olavistas. A repulsa era tanto que chegou a rolar dossiê contra o quase ministro.

Mas não foi necessário jogar o nome de Feder na lama. Ao longo do final de semana, o secretário recusou publicamente o convite. O que fez até bem.

Em notas relacionadas, como secretário de educação do Paraná, Feder deixou 165 cidades sem aulas televisionadas durante a pandemia de covid-19. Imagine o que seria do Enem digital com uma pessoas dessa cuidando da pasta. Pois é.

Também é, mas não é só isso

Carlos Decotelli, que foi demitido sem cerimônia de posse, acusou o racismo estrutural como um dos motivos para ter sido expulso do cargo. “Brancos trabalham com imperfeições em currículo sem incomodar”, afirmou.

É mentira? Não é mentira. Ricardo Salles, do Meio Ambiente e Damares Alves, da Pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também mentiram nas suas apresentações. Na Educação, Ricardo Vélez Rodríguez e Abraham Weintraub também apresentaram uma biografia falsificada.

E olha que o nosso recorte foi do governo Bolsonaro. Se voltarmos para outros, há mais absurdos por aí.

Mas é necessário uma ingenuidade muito grande para achar que o único motivo para Decotelli ter caído em desgraça é o racismo estrutural. O governo Bolsonaro já demonstrou não ter vergonha de manter no poder quem comete os mesmos erros do quase ministro.

Se há um grande culpado nisso tudo é o bolsolavismo. Os 15% de radicais que apoiam o governo a todo custo e seguem o guru da Virgínia querem utilizar o MEC como ambiente para a construção de uma revolução cultural. E enquanto um novo radical não for chamado para o ambiente, eles não se cansarão.

Vendedor de ilusões

Dia vai, dia vem, e Paulo Guedes segue sendo um dos nomes que mais mancham a imagem do liberalismo brasileiro no século XXI. São poucos os pretensos liberais que conseguem jogar na lata de lixo um movimento de defensores de ideias da liberdade com tanta eficiência.

Já vamos para um ano desde que a última grande reforma de iniciativa do Planalto foi aprovada no Congresso. Apesar da nulidade que a oposição organizada se tornou, a semana da reforma administrativa ainda não chegou. O mesmo vale para a tributária, que deve ser aprovada até o final do ano (certamente por boa vontade do Congresso e não pelo desejo reformista do Executivo).

Na CNN, o ministro faz discurso onde era para ser entrevistado. Jura que há um espírito de autossabotagem no Brasil enquanto promete vender até a mãe do leitor. No meio do caminho, faz negacionismo da ação do governo que mais tirou gente da extrema pobreza no espaço de 365 dias na nossa história.

O nome disso aí? O nome disso aí é inveja e ressentimento. Só isso explica o modo como Guedes trata quem esteve nos governos anteriores ao atual e fizeram muito mais do que ele jamais pensou em fazer pelo país.

Fica cada vez mais difícil para o ministro mostrar que não é apenas um liberista medíocre que vive de vender discurso motivacional para quem bate ponto na Faria Lima. O blog, nessa história, fica do lado dos liberais por inteiro que tiraram pessoas da pobreza com o Bolsa Família, o tripé macroeconômico e o Plano Real. Coisa de valores.

Fica de olho nisso aí

Mentira agora é crime. Ou quase isso. Por 44 votos a 32, o Senado aprovou o projeto de lei que pretende endurecer o combate às notícias falsas.

Agora o PL das fake news segue para a Câmara. A versão atual obriga plataformas com mais de 2 milhões de usuários a cobrar dos membros documentos que comprovem a sua identidade em caso de denúncia. Há também limites para contas vinculadas a uma única pessoa e novas regras para o armazenamento de dados.

Muita gente protestou. E com razão. O texto, que não era lá aquilo tudo, ficou só um pouco melhor após ser aprovado. Mas será necessário um debate muito mais aprofundado por parte dos defensores do status quo para que o PL seja melhorado e consiga garantir um combate à rede de disseminação de mentiras sem destruir a nossa liberdade de mandar pack do pezinho no Whatsapp.

Um bom caminho é começar a focar mais no financiamento da mensagem do que nos meios de divulgação. Essa prática funcionou bem nas últimas décadas.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

A liberdade é boa demais

Na última semana um monte de profissional livremente associado às plataformas de entregas digitais se organizou de modo autônomo para exercer a sua liberdade de expressão e tentar negociar mudanças nos contratos por eles firmados sem a interlocução com entes estatais. Coisa linda.

A pauta envolvia mudança nos valores da corrida, melhores comunicações sobre os bloqueios e até mesmo EPIs. Não passavam, porém, pela sindicalização da categoria (mas se quiser, pode) ou a sua CLTização.

Grupos de esquerda tentaram surfar no movimento e pediram até que os apps fossem mal avaliados. O iFood se manifestou com continhas safadas e dizendo que algumas (mas não todas) pautas já eram atendidas. Alguns liberais, porém, saíram por aí falando que os incomodados deveriam criar o próprio app. Sim, pois é muito fácil para trabalhadores com baixa formação entrar em um mercado dominado por empresas multimilionárias e crescer rapidamente.

É uma pena que boa parte dos liberais tirou o dia para fazer grandes análises técnicas sobre a inviabilidade do movimento dos entregadores. Parece até que a ação foi organizada por pessoas não adultas e não alfabetizadas e que precisam mesmo da condescendência alheia. Tudo isso por ter sido uma ação apoiada por Laura Carvalho, CUT e PSOL.

O movimento liberal ganhará muito se os pretensos liberais por inteiro gastarem 5 minutos do seu dia para avaliar movimentos autônomos pelas palavras de quem os organiza (e não de quem o apoia). Ganhará, também, se ler mais Adam Smith e aprender a diferença entre boicote e greve.

Já passou da hora dessa gente perceber que o Brasil é formado mais por gente que pedala várias horas por dia do que por dono de startup que desconhece um ambiente sem ar-condicionado. Merquior e John Rawls agradecem.

Essa água vai bater no bumbum logo logo

O governo amansou. Desde o começo de junho o presidente está ouvindo mais do que falando. E um Bolsonaro que fala pouco é um Bolsonaro que fala pouca bosta autoritária, sempre.

O esforço para evitar novas crises foi notado por todos. Um Bolsonaro calado, abatido e pouco crítico aos outros poderes é bem diferente daquele que bradava a força da sua caneta. Também é um que quer muito proteger o seu pescoço e o de seus filhos.

Nas últimas semanas, o justiça começou a cercar a família e as suas rachadinhas. A própria rachadinha do Bolsonaro, aliás, veio à tona. Há também as chances sempre grandes de um impeachment ser alavancado com o fim da pandemia e do auxílio emergencial.

E ainda existe a possibilidade de Joe Biben ser eleito e o presidente perder uma bola para chupar no cenário internacional. Tudo isso, é claro, acendeu um alerta vermelho no Planalto. Vamos ver por quanto tempo essa luz ficará acesa e o sinal verde do autoritarismo se fará presente novamente no nosso dia a dia.

Hidra de Lerna

Enquanto isso, os olavistas dentro e fora do governo são desmoralizados e perdem força. Ernesto Araújo, o 4chanceler, não consegue elencar meia dúzia de feitos positivos do seu trabalho. Até mesmo as exportações nacionais são motivo de vergonha para alguém que cuida da imagem de uma nação que é um dos celeiros do mundo.

Nas redes sociais, estão perdendo forças e voltando para nichos de internet. Ou melhor, expandindo as suas garras para novos canais. Tudo isso sem uma oposição que se organiza achando que não convertido quer ouvir Alexandre Padilha em pleno 2020 de nosso senhor Jesus Cristo.

Se Bolsonaro mantém radicais isolados, consegue governar com um pouco mais de facilidade. Se ele mantém os olavistas com poder, perde a chance de ter quadros minimamente preparados para cuidar das políticas públicas do seu governo. Em todos os cenários, a força dos cruzados olavistas é algo que deveria ser motivo de preocupação para todo mundo que quer viver sob a proteção de um Estado minimamente funcional e guiado pelos valores iluministas.

E agora, para o dodói da semana

Jair Bolsonaro está com covid-19. Ou pelo menos é o que ele quer fazer o país acreditar. O presidente afirmou que já está tomando cloroquina e que tirará a semana de folga.

O blog não fará um apanhado de todas as falas desumanas que o doente em idade para se aposentar já disse em três décadas de carreira para justificar o desejo de morte ao mandatário da nação. Também não fará um projeto de cálculo utilitarista para apontar que a vitória da doença seria um bem para o brasileiro médio.

Ou listar todas as ações do presidente nos últimos dias que inviabilizam o combate à pandemia para desejar que ele se foda para um caralho alado do tamanho de um cometa. Já há muita gente boa fazendo isso.

Mas não será, também, o blog o responsável por escrever belas palavras desejando a rápida retomada da saúde de Bolsonaro para que ele pague pelos seus possíveis crimes. Ou que isso sirva para que ele aprenda a ter mais empatia com o outro. Aqui se trabalha com realismo (em geral).

Importa, como disse Reinaldo Azevedo, o modo como a política de saúde do país é conduzida. E com presidente doente ou saudável, infelizmente, ela será conduzida da pior maneira possível por um bom tempo.


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Escrito pelo Guilherme e revisado com a ajuda da Ninna. Qualquer erro pode ser apontado diretamente no meu Twitter ou até mesmo no meu Curious Cat.

A Nova Era – semana #78: arreda pra lá com as suas ideias ruins

As aventuras do ex-ministro da educação, as mentiras do outro ex-ministro da educação, as brigas do Ministério Público e F.B. ganhando um refresco da justiça. Tudo isso e muito mais no resumo da semana #78 do governo Bolsonaro.

Não se esquece de compartilhar esse texto com o papai, a mamãe e a titia.


The following takes place between jun-23 and jun-29


O novo ex-ministro da Educação

Weintraub foi para outro país mas ainda causa dores de cabeça para o governo Bolsonaro e todos os brasileiros. Ao longo da semana, a data da sua exoneração foi modificada. Sem a necessidade de passaporte diplomático para ser utilizado em outro país, a sua demissão foi retificada para a sexta-feira (19).

Membros do Tribunal de Contas da União veem a possibilidade de fraude nessa história. O blog considera que houve, no mínimo, safadeza dos envolvidos.

Seis parlamentares enviaram um pedido à Embaixada dos EUA no Brasil para que eles expliquem como o ex-ministro entrou no país. Há sempre a preocupação de que ele tenha saído para escapar da mão pesada de um juiz de primeira instância. O Nexo explicou o que pode acontecer com Weintraub se for o caso.

Uma certeza, porém, é que Rodrigo Maia continuará com uma língua muito afiada.

O futuro ex-ministro da Educação

Para o lugar de Weintraub foi selecionado Carlos Alberto Decotelli. Oficial da reserva da Marinha, ele foi visto com uma escolha técnica e moderada. Bem diferente dos últimos ocupantes do cargo.

Evangélico, disse que era doutor por uma universidade na Argentina e pós-doutor em outra instituição. Também teria concluído mestrado na FGV sem realizar plágio no processo.

A FGV informou que há suspeitas de que a sua dissertação teve plágios. A Universidade Nacional de Rosário informou que ele não defendeu a sua tese de doutorado. A Universidade de Wuppertal, afirmou que ele não fez pós-doc lá.

Enquanto o blog editava este post, o presidente começou a procura por outro nome para o cargo. Sua passagem no ministério, felizmente, será menor do que o tempo gasto para listar as mentiras do seu currículo. Deus tenha piedade desta nação.

Vá sem Deus

Se tudo der certo, o troca-troca de cadeiras do Ministério da Educação se expandirá para outros lugares. Há pressão para substituir o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (aquele, que está queimando as pontes construídas com o grande capital internacional utilizando as madeiras cortadas na Amazônia como carvão). Também há quem queira tirar o 4chanceller, Ernesto Araújo.

O motivo, naturalmente, é pragmatismo. Ernesto Araújo gasta mais tempo divulgando conspiração sem sentido nos organismos internacionais do que melhorando a imagem do país. Já Salles está próximo a tirar gente que cuida de US$ 3,7 trilhões do país. E há quem diga que é a esquerda que está destruindo o país.

Briga de concurseiro

O Ministério Público e a Procuradoria-Geral da República andam com todo tipo de rusga interna nos últimos dias. Na Corregedoria do MPF, uma sindicância foi aberta para entender se a subprocuradora-geral Lindora Araújo estava metida em ações ilegais dentro da Lava Jato (saudades, querida). A tentativa de obter dados sigilosos levou a um pedido de demissão coletiva de procuradores da Lava Jato na PGR.

Não é a primeira vez que a PGR, a subprocuradora-geral e a Lava Jato entram em conflito. Em abril, Lindora pressionou a força-tarefa carioca para desbloquear uma conta de Jacob Barata. Enquanto isso, em Brasília, a mesma PGR tenta retomar conversas para que o advogado Rodrigo Tacla possa delatar Sergio Moro.

E o Sergio Moro? Anda escrevendo para a Crusoé.

Pequenas notas do Quinto dos Infernos

Medium quality bait

A Política Federal quer ouvir o presidente no inquérito que apura se houve interferência no órgão. O ofício foi enviado para o STF e, até a última verificada do blog, está sob análise.

Quando o presidente é ouvido como vítima ou testemunha, ele pode depor por escrito. Segundo o ministro Celso de Mello, porém, isso não vale para o caso de Jair, que é acusado. Aguardamos com carinho Bolsonaro falando no free style.

Por que isso é importante? Além do vídeo que coloca Bolsonaro em uma situação bem delicada, a sua fala pode prejudicar gente importante do governo. Isso vale especialmente para a vivandeira e ministro Augusto Heleno, que passou pano para Bolsonaro quando prestou o seu depoimento mesmo que tenha feito coisas que possam prejudicar a defesa do chefe do Executivo.

Saneamento é básico

Todo mundo sabe que saneamento é básico. Mas no Brasil, ele não é uma realidade para metade da população. Na última semana, porém, mudanças regulatórias foram aprovadas para talvez, quem sabe, mudar esse cenário.

O Senado aprovou o novo marco legal para as políticas da área. Ele permite que empresas privadas prestem serviços e facilita a privatização das estatais do setor. Mas não obriga ninguém, literalmente, ninguém, a fazer isso (mas se for viável, é legal fazer).

O objetivo do novo marco é garantir que mais de 90% da população nacional tenha acesso a coleta de esgoto e tratamento de água potável até 2033. Se tudo der muito certo, há ainda a possibilidade de R$ 700 bilhões serem feitos em investimentos e de que 700 mil empregos sejam gerados nos próximos 14 anos. Mas depende do esforço de governos, órgãos de fiscalização e bons gestores públicos e privados para que isso seja feito.

O blog acha difícil que isso ocorra, mas há muita gente querendo colocar as suas cartas nessa mesa. Como não há desenvolvimento em um país com esgoto a céu aberto, o blog espera estar errado.

Quando o Natal chega mais cedo

Já dizia a música, quem acredita sempre alcança. E Flávio B. alcançou o seu foro privilegiado no caso das rachadinhas. A decisão foi dada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que considerou o cargo ocupado pelo atual senador como desculpa para tirar o caso da primeira instância.

O juiz Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da primeira instância, foi o responsável por quebrar o sigilo bancário do senador e mandar prender Fabrício Queiroz. O caso saiu do seu gabinete, mas as decisões seguem válidas.

A decisão causou estranheza no STF. Para o supremo, o direito ao foro termina com o fim do mandato. Se o Ministério Público recorrer (e manter a sua imagem intacta nessa história), caberá à suprema corte a decisão sobre o tema.

Falando no Ministério Público, o órgão deve denunciar o senador F. Bolsonaro nos próximos dias. Flávio entrará em uma lista com outro político, também acusado de executar o mesmo esquema. O outro nome, porém, não é filho do presidente da República.

Curiosidades: se Sergio Moro tivesse seguido as ideias do TJ-RJ, Lula não seria julgado em Curitiba.

Pau que nasce torto, na marra se endireita

Quem gosta de democracia não deve ficar feliz apenas com o resultado do Datafolha. A justiça e o cenário externo está moldando Bolsonaro na base do medo e da grana. E, por hora, está dando certo.

Até segunda ordem, só uma minoria bastante barulhenta quer ver a nossa democracia ruir. 15% da população, para ser mais exato. Talvez será preciso mais do que um soldado e um cabo para fechar o STF.

Bolsonaro não anda tendo dias bons. A maioria dos mais ricos já reprova o seu governo. Os mais pobres que apoiam, em geral, fazem isso apenas pelo auxílio emergencial.

No exterior, há grupos de investimento loucos para ver ministros caírem. E se já não bastasse o presidente argentino, Bolsonaro também corre o risco de ver um velho branco democrata morando na Casa Branca ano que vem. Até mesmo os militares pararam de sonhar com a volta dos anos de chumbo.

Sai feliz o Centrão, fica triste o olavismo cultural e sai feliz, como sempre, o blog. Ver reacionário enfraquecido é melhor do que uma barra de goiabada cascão.

E agora para algo completamente diferente

Se estivéssemos em pandemia há mais tempo, Queiroz seria um ótimo exemplo do que não se fazer. O ex-assessor do filho do presidente recebeu a sua mulher várias vezes enquanto morava na casa de Frederick Wassef. Diz uma advogada que ele passou a morar lá em maio de 2019.

Antes de mudar o CEP para Atibaia, Queiroz também morou em outro apartamento de Wassef. Nesse caso, em um imóvel em frente à uma praia localizada em Guarujá, no litoral paulista.

A julgar pelo poder da fábrica de notinhas na imprensa e pequenos recados para amigos de bandidos, é melhor Bolsonaro (qualquer um deles) seguir o conselho de seus amigos e buscar um bom advogado. Ou advogada. O blog não liga para essas coisas.


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