-Gabriel!
Ele não respondeu.
-Gabriel!
Quando ele se virou, retirando os fones de ouvido e implorando para ter se enganado em relação à dona da voz que ouvira, ele a viu vindo em sua direção. O sol forte daquele dia parecia dar um brilho especial ao logo cabelo dourado dela. Sua pele continuava incrivelmente branca; seu sorriso, renovado. Cada passo em sua direção foi como um soco no seu peito, que lhe tirava o ar do pulmão e a consciência da mente.
Ao se lembrar de como tinha sido a última conversa dos dois ele se assustou com o tratamento que estava recebendo. Muito gentil, muito sorridente, muito calma para o meu gosto – ele pensou. Procurou parecer calmo, mesmo que cada átomo do seu corpo o impedisse de fazer essa tarefa (que para ele parecia ser a maior proeza que ele poderia realizar em toda a sua vida). O seu nervosismo aumentava a cada pergunta que ela fazia e, cada pergunta que ela fazia parecia ser motivada pelo seu nervosismo. Onde esteve, aonde ia, o que fazia. Tudo para ela significava uma pergunta acompanhada de um olhar curioso e um sorriso que, pelo menos para ele, parecia ser bastante cínico.
Por alguns instantes a conversa cessou e ambos se limitaram a uma troca de olhares. Para ele foi como uma cena de filme em que o mundo para e tudo se resumo ao casal de protagonistas se olhando. Para ela… Bom, quem se importa?
Falaram algumas poucas palavras e se despediram. Evitou olhar para ela enquanto ia andando. Não queria vê-la indo embora novamente. Não queria relembrar certas memórias.
Olhou para ele implorando para que ele a olhasse. Arrumou o cabelo sem entender o motivo da mágoa que sentia por não ter recebido um olhar dele e foi almoçar com sua amiga.
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